Tribuna

Proteger a urna é defender o voto de cada cidade do país

No segundo turno de 25 de outubro, o voto das cidades pequenas depende da mesma estrutura das capitais. Este jornal defende que ela é patrimônio nacional.

TribunaEsta é uma análise assinada na Tribuna. O argumento pertence ao autor e não representa necessariamente a posição do Jornal Brasil Profundo.

Fachada de mármore e vidro do Tribunal Superior Eleitoral, com o nome em letras douradas, uma bandeira do Brasil e uma pessoa caminhando na entrada
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília; a foto é de dezembro de 2007 e não mostra urnas nem a votação.Foto: José Cruz / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

No primeiro turno, em 4 de outubro, 321.040 profissionais de segurança foram mobilizados para proteger a votação. Desse total, 305.043 eram de forças estaduais, segundo o balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). No domingo, 25 de outubro, o país vota de novo, com uma estrutura parecida.

Este jornal defende que essa estrutura é patrimônio nacional. Ela reúne urnas, zonas eleitorais, servidores da Justiça Eleitoral e policiais. Serve para que o voto valha o mesmo na capital e no menor município do país.

Patrimônio nacional é o que pertence a todos os brasileiros e precisa ser conservado com cuidado. Segundo o Correio 24 Horas, a eleição terá 563.910 urnas eletrônicas. Elas estarão em quase 500 mil seções eleitorais, em 5.571 municípios.

Os números mostram o tamanho da operação. No primeiro turno, o balanço registrou 907 crimes eleitorais, segundo o Muita Informação. A boca de urna foi a conduta mais frequente, com 311 casos. Em abril, o Ministério da Justiça começou uma análise de risco para a eleição. Participam a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Também entram o Ministério da Defesa, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o Correio da Manhã, o objetivo era mapear ameaças como crimes cibernéticos, desinformação e atuação do crime organizado.

A proteção chega às cidades que não aparecem nas manchetes

No Rio de Janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu, em sessão plenária, pedir tropas federais para 15 cidades no segundo turno. A lista inclui a capital, Niterói, São Gonçalo e municípios da região metropolitana, como Itaguaí e Magé. O pedido ainda depende do TSE, segundo a Agência Brasil.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, falou em “grave e continuada ameaça ao livre exercício do voto”. A frase mostra que a preocupação não é só da capital. Ela chega a cidades que dependem da mesma Justiça Eleitoral.

No Pará, o governo estadual vai mobilizar 14 mil agentes das forças estaduais nos 144 municípios do estado. A operação é coordenada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, segundo o jornal O Liberal, em reportagem de 21 de outubro. O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) e a Polícia Federal participam da operação.

Uma cidade pequena raramente ganha manchete nacional. Mesmo assim, tem o mesmo direito a uma votação protegida. Quem vive no interior depende de uma urna que chega ao local de votação e de uma zona eleitoral que a coordena.

A desconfiança tem resposta nos mecanismos de conferência

Há quem desconfie da urna. Essa desconfiança merece ser ouvida, e tem resposta concreta. O primeiro mecanismo é o boletim de urna, o documento com o resultado de cada seção. Ao fim da votação, a urna registra o resultado e imprime o boletim. Uma cópia fica no local de votação, e os dados podem ser comparados com a totalização divulgada pela Justiça Eleitoral, segundo A Crítica de Campo Grande.

Antes de somar os votos, a Justiça Eleitoral confere se os dados vieram da urna certa e se têm assinatura digital correspondente. Segundo o secretário do TSE, Júlio Valente, “Tudo é verificado”. Ele afirmou que o processo tem “40 oportunidades de fiscalização e auditoria”, também segundo A Crítica de Campo Grande.

Em 2025, o TSE promoveu o Teste Público de Segurança (TPS), em que especialistas tentam invadir o sistema. Segundo o Aos Fatos, foram inscritos 35 planos de ataque, e 29 chegaram a ser executados. Quatro geraram achados relevantes, e nenhum permitiu alterar votos ou resultados, de acordo com o TSE. As falhas foram corrigidas e confirmadas em um reteste de 13 a 15 de maio de 2026.

As ameaças também são reais, e estão documentadas. Em 4 de agosto, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriu mandados de busca contra oito investigados, de 19 a 31 anos, em cinco estados. Segundo a investigação, o grupo discutia invasões a prédios públicos em Brasília durante a eleição. São investigados. Ninguém foi condenado.

O que diz o TSE: segundo A Crítica de Campo Grande, o secretário Júlio Valente disse que “Tudo é verificado” antes da totalização. A página oficial do TSE não abriu para esta redação nesta apuração.

Este jornal defende que a eleição de 25 de outubro depende de órgãos e de pessoas que não pertencem a nenhum partido. Essa estrutura é patrimônio nacional, e deve ser cobrada com fatos, não com suspeitas. Investigar quem ameaça a votação também faz parte da defesa do voto.

Não encontramos, até agora, a decisão do TSE sobre o pedido do TRE-RJ, nem o balanço final do segundo turno. O voto de Niterói e o de um município do interior valem igual. Por isso, a estrutura que o protege precisa chegar a todos.

Como fizemos: Usamos o balanço do primeiro turno divulgado pelo Muita Informação (5/10/2026), reportagens do Correio 24 Horas (1/10/2026), Correio da Manhã (15/4/2026), Diário de Pernambuco (20/8/2026, com texto do Estadão Conteúdo), Agência Brasil republicada pelo Acessa e pelo Tribuna do Sertão (15/10/2026), O Liberal (21/10/2026), DGABC (4/8/2026), A Crítica de Campo Grande (12/8/2026) e Aos Fatos (8/9/2026). Todas foram acessadas em 24/10/2026. Não fizemos cálculos, além de conferir que as parcelas do balanço somam o total de 321.040. Os sites do TSE e da Agência Brasil não abriram diretamente nesta apuração.

Fontes