Tribuna

Reeleição de Lula é mandato para defender serviços públicos

Com 51,79% dos votos válidos, Lula foi reeleito. Esta Tribuna defende que a vitória cobra SUS forte, escolas e repasses do FPM nas cidades.

TribunaEsta é uma análise assinada na Tribuna. O argumento pertence ao autor e não representa necessariamente a posição do Jornal Brasil Profundo.

Luiz Inácio Lula da Silva sorri e encosta a mão na aba de um chapéu panamá branco, com camisa azul, em ambiente externo com fundo desfocado em tons de verde e amarelo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 9 de julho de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No domingo, 25 de outubro de 2026, Lula foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,21%. Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reproduzidos pela InfoMoney e pela Bloomberg Línea.

Lula teve 64.256.232 votos, e Flávio, 59.826.041. Votos válidos são os dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. A diferença foi de 4.430.191 votos, conta feita pela redação.

Este jornal defende que essa vitória é um mandato para defender os serviços públicos que chegam às cidades. Isso inclui o Sistema Único de Saúde (SUS), as escolas e os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A margem foi estreita, e a leitura precisa levar isso em conta.

O mapa também mostra um país dividido. Lula venceu em 13 estados, e Flávio venceu em outros 13 e no Distrito Federal, segundo a Bloomberg Línea. Por isso, o mandato é real, mas não é um cheque em branco.

Na noite da vitória, Lula falou em continuar a “revolução do SUS”, segundo a Agência Brasil. Segundo o Poder360, ele também defendeu escolas de tempo integral até o ensino médio e a ampliação do Pé-de-Meia, programa que paga incentivo a estudantes para continuarem na escola.

O dinheiro que chega à porta da prefeitura

Pela regra do FPM, 22,5% do que a União arrecada com o Imposto de Renda (IR) e com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vai para as prefeituras, segundo a Sovos. O repasse é automático e segue a regra, seja qual for o governo.

Este jornal defende que o FPM e o SUS fazem parte do mesmo pacto. Quando a verba federal para saúde e educação encolhe, a conta chega à prefeitura. É ela que mantém o posto, a escola e o transporte escolar, mesmo sem ter sido ela a cortar.

Para o morador do interior, o repasse federal é o sinal mais concreto de que o Estado existe. A escola de tempo integral segue a mesma lógica. Este jornal defende que ela seja tratada como direito da cidade, e não como favor do governo de turno.

O que propõe o outro lado

O plano de governo de Flávio Bolsonaro tem 76 páginas. Segundo o SBT News, ele prevê “vamos contratar serviços e exames na rede privada nos horários ociosos”. Ou seja, usar equipamentos que ficam parados fora do horário de pico. A reportagem é de 4 de setembro de 2026.

O diagnóstico tem base real. O mesmo plano afirma: “há aparelho parado enquanto gente espera meses pelo mesmo exame”. Quem enfrenta a fila sente o problema no dia a dia. A divergência está no remédio, não na queixa.

O plano também fala em parcerias com estados, municípios e organizações sociais para cuidado de idosos e pessoas com deficiência. Promete ainda “a correção efetiva da tabela SUS”. Essa tabela define quanto o SUS paga por cada procedimento. O plano promete ainda completar a digitalização do SUS, com prontuário eletrônico único e uso de inteligência artificial para agendamentos.

Há, nesse ponto, uma diferença real de método. O plano de Flávio aposta em comprar serviços e digitalizar o sistema.

Este jornal defende outro caminho: ampliar a oferta que o próprio SUS entrega a quem não tem plano de saúde. Mais exames e consultas exigem mais vagas e mais equipes na rede pública. Contratar horário extra de clínicas particulares não cria esse sistema, e a conta continua no orçamento público.

O que diz Lula: “Vamos continuar fazendo a revolução do SUS.” A frase foi dita na noite da vitória, segundo a Agência Brasil.

O mandato começa em 2027. Até lá, o país terá dois projetos para a saúde, a educação e as cidades. Um aposta em continuar a revolução do SUS, nas palavras de Lula. O outro aposta em contratos com a rede privada e em parcerias, segundo o plano de Flávio.

Para o eleitor de cidade pequena, a pergunta é simples: o posto abre, a escola funciona e o repasse chega no dia certo? A vitória não responde a isso sozinha. Ela dá ao governo eleito uma tarefa que será cobrada nas cidades, com prazo e número. Este jornal seguirá acompanhando esses números.

Como fizemos: Usamos as apurações da InfoMoney, da Bloomberg Línea e do ABC+, que citam dados do TSE, acessadas em 26/10/2026. O site do TSE não abriu diretamente nesta apuração. A diferença de 4.430.191 votos é cálculo da redação: 64.256.232 menos 59.826.041. A proporção do FPM vem da Sovos, sem conferência direta da Constituição. Não conferimos o registro do plano de Flávio no TSE, e não estimamos o custo das propostas.

Fontes