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Paraná abre R$ 175 milhões em crédito após temporais

BRDE oferece R$ 100 milhões e Fomento Paraná, R$ 75 milhões; linhas têm limites, juros e regras diferentes conforme a empresa.

Vista panorâmica de prédios e áreas arborizadas de Maringá
Vista de Maringá em janeiro de 2024; o anúncio do crédito ocorreu na cidade após o tornado de 2 de novembro.Foto: Giovanni Tirloni / Wikimedia Commons (CC0)

O Paraná anunciou na quarta-feira (4) R$ 175 milhões em crédito para empresas atingidas pelos temporais. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) responde por R$ 100 milhões. A Fomento Paraná, instituição financeira estadual, oferece outros R$ 75 milhões.

O anúncio ocorreu em Maringá, atingida por um tornado na madrugada de segunda (2). O valor é uma oferta de financiamento, não um repasse sem devolução. As condições variam conforme o porte da empresa, a finalidade e a situação do município.

Pequenos negócios têm linha sem juros

A Fomento Paraná dividiu sua participação em duas modalidades. A Micro Emergencial reúne R$ 50 milhões e atende empreendedores informais, microempreendedores individuais e microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil.

Essa linha oferece até R$ 20 mil por solicitante. A taxa é zero enquanto os pagamentos estiverem em dia. Outros R$ 25 milhões integram o Recupera FDE Fomento Giro Fácil, voltado a pequenas e médias empresas com receita anual de até R$ 16 milhões.

Linhas de crédito têm públicos e custos distintos Condições anunciadas pelo Governo do Paraná em 4 de novembro

Linha Limite por beneficiário Juros informados
BRDE Recupera Sul — investimento R$ 10 milhões IPCA + 7% ao ano, com subsídio
BRDE Recupera Sul — capital de giro R$ 1,5 milhão IPCA + 7% ao ano, com subsídio
Fomento Micro Emergencial R$ 20 mil Zero, com pagamentos em dia
Fomento Giro Fácil R$ 250 mil 4,22% ao ano, com pagamentos em dia

Fonte: Agência Estadual de Notícias e Governo do Paraná. IPCA é o índice oficial de inflação.

No Giro Fácil, o prazo chega a 60 meses, com carência de até seis meses. O programa exige que o empreendimento esteja em município com emergência ou calamidade decretada e homologada pelo estado. Municípios também podem financiar a reconstrução de equipamentos públicos.

BRDE financia estruturas e máquinas

A linha Recupera Sul aceita até R$ 10 milhões por CNPJ para recuperar estruturas e repor máquinas. O prazo é de até 120 meses, com carência de 12 meses. Para capital de giro, o limite cai a R$ 1,5 milhão e o prazo, a 60 meses.

Os contratos do BRDE precisam superar R$ 800 mil. A taxa informada soma inflação e 7% ao ano, com subvenção estadual. Isso significa que o governo usa recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico para reduzir o custo suportado pelo tomador.

A carência é o período inicial sem pagamento das parcelas previstas no contrato. Ela dá tempo para a empresa reorganizar o caixa, mas não transforma o financiamento em doação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também faz a taxa variar com a inflação. Por isso, o custo final não pode ser calculado apenas com os percentuais anunciados.

O BRDE concentra 57,1% do total anunciado, e a Fomento, 42,9%. Dentro do pacote, a modalidade sem juros para os menores negócios representa 28,6%. A divisão mostra que o volume maior não significa acesso igual para todos os portes.

Maringá ainda preparava laudos para decretar calamidade no momento do anúncio. O BRDE atende presencialmente na Associação Comercial e Empresarial da cidade nesta quinta e sexta. A orientação e o encaminhamento de pedidos não representam aprovação automática.

O que diz o Governo do Paraná: as linhas devem financiar a retomada das atividades e ajudar a preservar empregos. Em nota de 4 de novembro, o BRDE informa que oferecerá orientação em Maringá, e a Fomento detalha regras específicas para pequenos negócios.

Crédito não substitui ajuda às famílias

O pacote empresarial é separado do Fundo Estadual para Calamidades Públicas. Esse fundo pode financiar estruturas públicas e apoiar famílias com casas danificadas, segundo a Defesa Civil estadual. As regras e os beneficiários não são os mesmos.

A recuperação agora depende dos decretos, da documentação dos prejuízos e da análise dos pedidos. Para o trabalhador, o efeito esperado é a reabertura dos negócios. O crédito pode ajudar, mas cria dívidas que precisam ser comparadas à capacidade de pagamento.

Como fizemos: Conferimos a nota da Agência Estadual de Notícias e separamos valores, limites, juros, prazos e requisitos. Calculamos as participações de cada instituição sobre R$ 175 milhões. Não tratamos o crédito como dinheiro já contratado nem como repasse definitivo às empresas.

Fontes