Sul

Curitiba envia reajuste de 4,58% dos servidores à Câmara

Projeto repõe a inflação de outubro de 2025 a setembro de 2026, prevê retroativo e exclui agentes comunitários de saúde e de endemias.

Vista aérea do centro de Curitiba com a Câmara Municipal em primeiro plano
Vista aérea de Curitiba com a Câmara Municipal em primeiro plano, em foto de arquivo de 2024.Foto: Rodrigo Fonseca/CMC / Wikimedia Commons (Domínio público)

A Prefeitura de Curitiba enviou nesta sexta-feira (6) à Câmara Municipal o projeto que prevê reajuste de 4,58% para servidores ativos, aposentados, pensionistas e outras categorias de agentes públicos. A proposta começa a tramitar no Legislativo e ainda não virou lei. A informação sobre o envio e o impacto financeiro foi divulgada pela imprensa local.

O índice corresponde à inflação acumulada entre outubro de 2025 e setembro de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Se a Câmara aprovar o texto, a prefeitura prevê aplicação retroativa a 1º de novembro. A própria administração havia anunciado o envio e a fórmula em outubro.

Quem entra e quem fica fora

O reajuste linear alcança a administração direta, autarquias e fundações. Também inclui aposentadorias e pensões pagas pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), sistema previdenciário dos servidores municipais.

A proposta cria regra específica para professores de Educação Infantil, porque a carreira segue o piso nacional do magistério. Já agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias ficam fora do índice, pois a remuneração desses profissionais está ligada ao salário mínimo nacional.

O projeto tem impacto crescente até 2028 Estimativa financeira informada pela Prefeitura de Curitiba

Ano Impacto previsto
2026 R$ 55,2 milhões
2027 R$ 333,6 milhões
2028 R$ 348,2 milhões

Fonte: Prefeitura de Curitiba, conforme o projeto divulgado em 6 de novembro.

O que ainda será votado

A diferença entre os anos mostra que o custo não se resume ao pagamento retroativo de 2026. A despesa passa a compor a folha dos exercícios seguintes. Por isso, a Câmara precisa analisar a proposta junto com a receita corrente, o limite de pessoal e as demais obrigações do município.

A reposição de 4,58% recompõe a inflação do período indicado, mas não representa ganho real. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (SISMUC) reconheceu a reposição e, ao mesmo tempo, cobrou retomada da data-base em março de 2027 e medidas para recuperar perdas acumuladas. A posição foi registrada pelo sindicato após assembleia.

A tramitação também interessa aos serviços públicos. Salários e carreiras afetam profissionais de saúde, educação, fiscalização e defesa social. A votação definirá se o reajuste será incorporado à folha e em que prazo o retroativo será calculado.

O texto ainda precisa passar pelas comissões e pelo plenário. Até a aprovação, os valores atuais continuam valendo. Se houver emendas, o impacto pode mudar e a prefeitura terá de atualizar a estimativa financeira.

O que diz a Prefeitura de Curitiba: o percentual de 4,58% repõe o IPCA de outubro de 2025 a setembro de 2026. A administração informa que o pagamento será retroativo a 1º de novembro depois da aprovação do projeto.

O ponto aberto é o equilíbrio entre recomposição salarial e capacidade de pagar a folha nos próximos anos. A decisão será pública e caberá aos vereadores, com acompanhamento dos servidores e dos moradores que dependem dos serviços municipais.

Como fizemos: Consultamos a notícia oficial da Prefeitura de Curitiba, a reportagem sobre o envio à Câmara e a posição publicada pelo SISMUC, acessadas em 6 de novembro de 2026. Organizamos os impactos anuais informados pela administração e separamos reposição da inflação, ganho real e exclusões. Não calculamos salários individuais nem antecipamos o resultado da votação.

Fontes