Centro-OesteDistrito Federal

Celina Leão é reeleita governadora do DF com 57% dos votos válidos

Celina Leão (PP) venceu Leandro Grass (PT) no 2º turno por 248 mil votos. Crise do BRB e a saúde pública marcaram a disputa no Distrito Federal.

Fachada do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, em Brasília
Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, em Brasília.Foto: Uri Rosenhek / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

No domingo (25), os eleitores do Distrito Federal (DF) reelegeram Celina Leão (PP) como governadora. Com 100% das urnas apuradas, ela teve 987.142 votos, ou 57,18% dos votos válidos. Leandro Grass (PT) ficou com 739.130 votos, ou 42,82%.

A diferença foi de 248.012 votos, o equivalente a cerca de 14,4 pontos percentuais. A disputa aconteceu em meio à crise do Banco de Brasília (BRB), que, segundo a Gazeta do Povo, pesa sobre o novo mandato.

Uma vitória com margem ampla

A abstenção, ou seja, a parcela do eleitorado que não votou, ficou em 17,37%. Os votos brancos somaram 3,01% (55.771 votos) e os nulos, 3,90% (72.280 votos), segundo a Gazeta do Povo.

Em uma disputa entre dois candidatos, a vantagem de 248 mil votos é ampla. Os números mostram que a eleição não ficou em aberto.

O caso BRB e o Banco Master

O BRB é o banco público do governo do Distrito Federal. Segundo a Gazeta do Povo, o episódio envolve a compra de títulos do Banco Master pelo BRB e a tentativa de aquisição da instituição financeira de Daniel Vorcaro. Durante a campanha, Celina descartou publicamente a possibilidade de privatização do banco, de acordo com a mesma reportagem.

Segundo investigações da Polícia Federal (PF), citadas pelo Brasil de Fato, o banco público transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. Em 15 de setembro, a mesma publicação informou que Daniel Vorcaro teria dito que Celina participou de negociações do BRB para a compra do Master.

O Governo do Distrito Federal (GDF) negou a participação. Segundo o Brasil de Fato, a gestão afirmou que “não é verdade que a governadora Celina Leão tenha participado de qualquer tipo de negociação em torno da compra do Master pelo BRB”.

Empréstimo do FGC e a garantia federal

Em 28 de maio, o Distrito Federal e a União fecharam um acordo em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), mediada pelo ministro Luiz Fux. O acordo prevê um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao BRB.

Segundo o Poder360, a operação ainda depende da análise do plano de negócios do BRB e de exigências técnicas do FGC. A União, por sua vez, afirma não dar garantia. O advogado-geral da União em exercício, Flávio Roman, disse: “Não há recursos da União sendo transferidos nem garantia ou aval da União em favor do Distrito Federal.”

Saúde no centro das críticas

A campanha de Grass concentrou críticas à gestão local, especialmente em saúde e educação, segundo a Gazeta do Povo. Em entrevista ao SBT News, publicada em 21 de outubro, ele afirmou: “Um governo que colocou o povo na fila da saúde, no último lugar do Ideb.” O Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, mede a qualidade do ensino público.

Grass também criticou o Iges-DF, organização que presta serviços à Secretaria de Saúde. Segundo ele, o instituto “ficou maior que a secretaria”. Ele propôs que o comando da área volte para a secretaria, com a manutenção dos empregados do Iges-DF. Não encontramos, nesta apuração, resposta do governo à crítica sobre a fila da saúde.

O que diz a governadora Celina Leão: segundo o Brasil de Fato, o GDF afirmou que ela “sempre foi contra a compra do Master pelo BRB”. Em 6 de outubro, Celina disse à Gazeta do Povo: “O BRB está firme, tem mantido a liquidez e as pessoas que acreditam no BRB sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação.”

O que isso significa

Celina Leão começa o novo mandato com vantagem de cerca de 14 pontos percentuais. O resultado nas urnas é claro, mas os dois temas que marcaram a campanha seguem em aberto. O BRB depende de um empréstimo do FGC que ainda está em análise. Na saúde, a crítica de Grass não tem resposta do governo nas fontes consultadas.

Como fizemos: Usamos a reportagem da Gazeta do Povo sobre o resultado, publicada em 25/10/2026 às 20h05 e atualizada às 21h45, com 100% das urnas apuradas, e a reportagem do Metrópoles, com os mesmos totais de votos, sem informar o percentual de urnas. Acessamos as duas em 26/10/2026. Não conseguimos abrir o portal de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta apuração, por isso os números devem ser conferidos lá. Calculamos o total de votos válidos (1.726.272), a diferença (248.012 votos) e a diferença em pontos percentuais (57,18% menos 42,82%). Os dados sobre o BRB e a PF vêm de reportagens e não de documentos do processo. Não verificamos as propostas de saúde da governadora para este texto.

Fontes