Centro-OesteGoiás

Concurso de Goiás mobiliza 88 mil alunos de 196 cidades

Sexta edição reuniu 520 escolas estaduais; 81 estudantes e 67 professores receberam prêmios após três etapas classificatórias.

Entrada iluminada do Teatro Goiânia, com cartazes culturais nas paredes
Entrada do Teatro Goiânia, local da premiação de quarta-feira, em fotografia de arquivo de junho de 2019.Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O sexto Concurso Cênico-Literário de Goiás reuniu 88 mil estudantes de 520 escolas estaduais em 196 municípios. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) premiou 81 alunos e 67 professores na quarta-feira (4), no Teatro Goiânia.

Os participantes produziram trabalhos sobre cultura goiana, diferentes formas de inteligência e a relação entre criatividade humana e tecnologia. A inteligência artificial integrou o tema da edição. A nota oficial não informa que todos os alunos tenham usado essas ferramentas.

Participação foi muito maior que a final

As 88 mil participações equivalem, em média, a 169 estudantes por escola. O cálculo apenas distribui o total pelas unidades e não descreve a participação real de cada uma. Todas as 40 Coordenações Regionais de Educação participaram.

Depois de três etapas classificatórias, 81 estudantes receberam premiação. Isso representa cerca de 0,09% do total mobilizado. Os 67 professores premiados integram um grupo de mais de mil orientadores que participaram do concurso.

Menos de um décimo de 1% dos alunos chegou à premiação Alcance e resultados da sexta edição, concluída em 4 de novembro

Indicador Total
Estudantes mobilizados 88 mil
Escolas participantes 520
Municípios representados 196
Estudantes premiados 81
Professores premiados 67
Apresentação cênica final 27 estudantes

Fonte: Secretaria de Estado da Educação de Goiás. Médias e percentual calculados pela redação.

Os prêmios incluíram tablets, medalhas e troféus. A Seduc não divulgou o valor dos equipamentos nem o custo total da edição. Por isso, os dados permitem avaliar o alcance educacional, mas não comparar o investimento com outras políticas de cultura na escola.

Três linguagens orientaram os trabalhos

O concurso reuniu as modalidades Carta, Monólogo e Desenho, esta última apresentada como Cartão Postal. As atividades articularam Teatro, Língua Portuguesa e Artes Visuais. O público era formado por alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental estadual.

Na cerimônia, 27 finalistas apresentaram o espetáculo “Memória em Código Aberto”. A montagem abordou memória, identidade e tecnologia. Trabalhos dos estudantes também ficaram expostos na sede da Seduc.

Uma das atividades usou a ideia de cápsula do tempo. Os alunos registraram memórias, dúvidas e expectativas para o futuro. A proposta conectou a reflexão sobre Goiás às perspectivas das próximas gerações.

Manuela Barros Abreu, estudante de Pontalina, relatou ter usado patrimônios históricos goianos como referência em seu desenho. O exemplo mostra como a tecnologia apareceu como assunto para discutir a cultura local, e não como substituta da produção artística.

Criado em 2021, o projeto completou seis edições. A Gerência de Arte e Educação e o Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte coordenaram as etapas e a formação dos professores orientadores.

A participação docente é central porque as produções foram desenvolvidas ao longo das etapas, com orientação nas escolas. O concurso não se limitou a uma apresentação na capital. A cerimônia reuniu os finalistas, mas o processo educativo começou antes, nas 520 unidades participantes espalhadas pelo estado.

O que diz a Seduc: o concurso estimula leitura, escrita, produção artística e conhecimento da cultura goiana. Em nota de 5 de novembro, a pasta informa que a edição relacionou o currículo às expressões culturais e à discussão sobre tecnologia.

Próxima avaliação é o alcance nas escolas

A participação de 196 municípios demonstra capilaridade da iniciativa na rede estadual. O próximo dado relevante será a continuidade das atividades nas salas de aula. Premiações reconhecem finalistas, mas o maior efeito está nos trabalhos desenvolvidos durante as etapas. Esse acompanhamento também depende das escolas e dos professores orientadores.

Para avaliar o programa, também será necessário conhecer a distribuição regional e os recursos destinados às escolas. Os números publicados mostram quantos participaram e quantos foram premiados, sem medir aprendizagem ou impacto na frequência escolar. Essa distinção evita apresentar a premiação como evidência de melhoria no desempenho dos alunos.

Como fizemos: Conferimos a nota da Seduc publicada em 5 de novembro. Dividimos 88 mil por 520 para obter a média de 169 alunos por escola e 81 por 88 mil para chegar a 0,09%. Não calculamos custo nem impacto educacional porque a fonte não apresenta esses dados.

Fontes