Centro-OesteGoiás
RIDE-DF reúne o Distrito Federal e 33 cidades de Goiás e Minas
Criada em 1998 e ampliada em 2018, a região integrada coordena ações da União, do DF e de dois estados, mas não cobra impostos nem aprova leis.

Águas Lindas de Goiás tinha 225.693 moradores no Censo 2022. É o município mais populoso da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF), pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Luziânia e Valparaíso de Goiás vêm logo depois, cada uma com cerca de 200 mil habitantes.
A RIDE-DF foi autorizada pela Lei Complementar 94, de 1998. A região serve para articular a ação da União, do Distrito Federal (DF) e dos estados de Goiás e Minas Gerais. Em 2018, a Lei Complementar 163 ampliou a lista de cidades.
Hoje, a região reúne o DF e 33 municípios: 29 em Goiás e 4 em Minas Gerais. Os mineiros são Arinos, Buritis, Cabeceira Grande e Unaí. Somados, DF e municípios tinham cerca de 4,5 milhões de habitantes em 2022.
Quem decide
A RIDE não é um novo governo. A Constituição só reconhece como entes da federação a União, os estados, o DF e os municípios. A região é um espaço de coordenação, apoiado no artigo 43 da Constituição, que permite à União articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico.
O órgão central é o Conselho Administrativo da RIDE (Coaride), regulamentado pelo Decreto 7.469, de 2011. Ele é presidido pelo secretário-executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) exerce a secretaria-executiva do conselho.
Desde o Decreto 11.911, de 2024, o conselho reúne dez secretários-executivos de ministérios e da Presidência da República, além do superintendente da Sudeco. O DF tem três representantes, e Goiás e Minas, um cada. Os municípios goianos têm dois assentos, e os mineiros, um. Há ainda vagas para empresários, trabalhadores e sociedade civil.
O que o conselho pode e o que não pode
Pelo decreto, cabe ao Coaride aprovar planos e programas para a região e coordenar a ação dos governos. O texto lista serviços de interesse comum, como transporte, saneamento, saúde, educação, habitação e segurança pública.
O conselho, porém, não cria leis, não cobra impostos e não administra hospitais ou escolas. Os projetos dependem de dinheiro dos orçamentos da União, do DF, dos estados e dos municípios, ou de empréstimos, como prevê a lei de 1998. Cada serviço continua com o governo que tem a competência legal sobre ele.
A pressão sobre o Entorno
O vaivém diário entre as cidades goianas e o DF passa pelo transporte coletivo. As linhas de ônibus entre o DF e o Entorno são interestaduais, chamadas de semiurbanas. Por isso, quem regula o serviço é a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e não as prefeituras.
Em fevereiro de 2026, a ANTT aprovou reajuste de 2,546% nessas tarifas, segundo o Diário do Transporte. O cálculo considera a inflação e o preço do diesel. Como o sistema não tem subsídio público, o aumento foi repassado por inteiro aos passageiros.
Saúde e saneamento também atravessam a divisa entre o DF e Goiás. Por isso, o decreto da RIDE inclui os dois entre as áreas de interesse comum, que pedem ação combinada dos governos.
O que diz a Sudeco: Em sua página sobre a RIDE-DF, a superintendência descreve o Coaride como “instrumento de governança e espaço de interação interfederativo, com foco no desenvolvimento econômico e social”. Segundo a página, cabe ao conselho planejar, coordenar, avaliar e monitorar as atividades na região.
Para quem mora no Entorno, a RIDE é mais um fórum do que uma solução pronta. Os resultados dependem de acordos entre governos com interesses e orçamentos diferentes. As atas das reuniões do Coaride, publicadas pela Sudeco, mostram o que foi decidido e o que ficou para depois.
Fontes
- Lei Complementar nº 94, de 19 de fevereiro de 1998 — Planalto
- Decreto nº 7.469, de 4 de maio de 2011 (texto compilado) — Planalto
- RIDE-DF e Coaride — Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — Planalto
- Censo 2022: população residente, tabela 4709 — IBGE/Sidra
- DF e Entorno têm aumento nas tarifas do transporte coletivo — Diário do Transporte
- Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)



