Centro-OesteDistrito Federal

Conta do BRB não entra na LDO e pode cair em 2028

A LDO de 2027 cita o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB sem calcular o impacto, que pode começar só no fim de 2028 com carência.

Vista lateral do Palácio do Buriti, em Brasília, com bloco de pilares e vidro e uma torre de concreto sob céu azul
O Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal, em Brasília.Foto: Daderot / Wikimedia Commons (CC0 1.0)

Em 2027, o Distrito Federal prevê receita total de R$ 74,97 bilhões. O número consta da lei de diretrizes orçamentárias (LDO), aprovada pela Câmara Legislativa (CLDF) em 30 de junho. Mas a conta mais pesada ainda não tem valor fechado: o socorro ao Banco de Brasília (BRB).

Celina Leão (PP) foi reeleita governadora no segundo turno, com 57,18% dos votos, segundo o Metrópoles. A lei orçamentária anual (LOA), que fixa os gastos de 2027, só será votada em dezembro.

O BRB está no centro da crise aberta com o Banco Master. Em 9 de junho, o presidente do banco, Nelson de Souza, disse ao Senado que a instituição precisa de R$ 8,8 bilhões para cobrir possíveis perdas, segundo o Correio da Manhã. O socorro previsto é um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege depósitos em bancos.

Um empréstimo sem contrato

Em 28 de maio, o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União firmaram acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo. Segundo o Correio da Manhã, o FGC ainda não deliberou sobre a operação. Na audiência de 13 de agosto, sob relatoria do ministro Luiz Fux, as partes não avançaram.

Em 1º de julho, o secretário Valdivino de Oliveira disse à Brasil de Fato: “Não tem nem contrato ainda, não temos o valor que teremos de pagar, não temos nada definido.” A última atualização pública que a redação encontrou sobre o caso é de agosto.

Carência empurra a conta para 2028

O GDF pediu dois anos de carência para começar a pagar, segundo a coluna Capital S/A, do Correio Braziliense. Em documento ao Banco do Brasil, a Secretaria de Economia afirmou que pode usar cerca de 2% da receita corrente líquida (RCL) nas parcelas. A RCL é a base de cálculo dos limites de gasto com pessoal e dívida.

Com a carência, o impacto começa no fim de 2028, segundo a mesma coluna. A LDO não inclui esse efeito. O custo cairia no orçamento de 2028, que o governo eleito em 2026 vai montar em 2027.

Quase 40% da receita prevista do DF em 2027 vem do FCDF Receita prevista para 2027, em R$ bilhões e percentual do total, segundo a LDO aprovada

Fonte R$ bi Parte da receita
Arrecadação própria 45,45 61%
Fundo Constitucional do DF (FCDF) 29,52 39%
Total 74,97 100%

Fonte: Brasil de Fato, a partir do texto da LDO 2027. Percentuais: cálculo da redação.

O FCDF é um repasse da União. A LDO o divide em R$ 15,46 bilhões para segurança, R$ 8,52 bilhões para saúde e R$ 5,53 bilhões para educação, segundo a Brasil de Fato.

Autorização sem dinheiro garantido

A LDO autoriza a nomeação de 6.545 cargos efetivos e a criação de 436, segundo o Correio Braziliense. Mas o projeto da Secretaria de Economia reserva só R$ 1,7 bilhão para concursos e nomeações. A ampliação desse valor depende do equilíbrio fiscal.

O custeio, isto é, os gastos do dia a dia, também tem teto. Ele não pode passar do valor empenhado em 2026 (já reservado para pagamento) mais a inflação (IPCA), segundo a Brasil de Fato.

As fontes divergem sobre o resultado fiscal. A LDO projeta déficit nominal de R$ 1,95 bilhão em 2027, que inclui os juros da dívida, segundo a Brasil de Fato e o OHoje. A Secretaria disse ao Correio que a LOA deve mostrar superávit de R$ 2 a R$ 3 bilhões. Uma coluna do Correio, de 30 de junho, chegou a falar em superávit de 5% da RCL na LDO.

O que diz a Secretaria de Economia do DF: Segundo o Correio Braziliense, a pasta afirmou ao Banco do Brasil que o governo tem capacidade de pagar o empréstimo, usando cerca de 2% da RCL. À coluna Capital S/A, disse que a LOA de 2027 deve mostrar superávit de R$ 2 a R$ 3 bilhões. Nas fontes consultadas, não há manifestação nova da pasta sobre o texto.

O que isso significa

Pelas informações públicas encontradas, o empréstimo ao BRB não tem contrato, valor fechado nem prazo de pagamento definido. A LDO menciona a operação, mas não mede seu custo. Ficam em aberto três pontos: se o FGC libera o dinheiro, se a União entra na operação e quando o BRB publica seu balanço.

Para acompanhar a conta, vale olhar três documentos: o contrato do empréstimo, o balanço do BRB e a LOA de 2027 aprovada pela CLDF.

Como fizemos: Usamos a LDO 2027 do DF como noticiada pela Brasil de Fato e pelo OHoje (1/7/2026), reportagens do Correio Braziliense (coluna Capital S/A, 30/6 e 1/7/2026), do Correio da Manhã (agosto de 2026) e do Metrópoles (26/10/2026), acessadas em 27/10/2026. Não conseguimos ler o texto oficial da LDO nem o projeto da LOA 2027 nas fontes consultadas. Cálculos nossos: a parte de cada fonte na receita de R$ 74,97 bilhões, em que o FCDF de R$ 29,52 bilhões equivale a 39%. O percentual de Celina Leão (57,18%) vem do Metrópoles, calculado sobre os votos dos dois candidatos com 100% das urnas apuradas; conferir no TSE. A última atualização encontrada sobre o empréstimo é de agosto de 2026.

Fontes