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Celina aposta em cirurgias e Grass em UBS na saúde do DF

Celina Leão aposta em cirurgias e Leandro Grass em UBS e portal da fila. Os dados oficiais mostram o que já foi feito e o que ainda falta medir.

Celina Leão discursando na tribuna do plenário do Senado durante sessão solene do Congresso Nacional
Celina Leão, candidata ao governo do Distrito Federal, em sessão solene do Congresso em 8 de março de 2022, quando era deputada federal (PP-DF); a foto é de arquivo.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No dia 22 de outubro, a TV Globo promoveu um debate com os candidatos ao Governo do Distrito Federal. A governadora Celina Leão (PP) foi convidada, mas avisou que não participaria. Leandro Grass (PT) usou o tempo para falar de saúde: “Eu vou cuidar das pessoas que chegam no hospital e não conseguem atendimento.”

O segundo turno é em 25 de outubro. A saúde é o tema que mais aparece nas falas dos dois. Este texto reúne o que cada um disse, com data e veículo, e confronta com dados oficiais. Não lemos os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porque não estavam acessíveis para esta apuração.

Duas frentes: UBS e cirurgias

A saúde pública do DF tem duas frentes. A primeira é a atenção primária, feita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com consultas e acompanhamento perto de casa. A segunda são as cirurgias eletivas, aquelas marcadas com antecedência, que formam a fila mais citada na campanha.

Dados da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), de novembro de 2022 e publicados em estudo de 2024, registram 165 UBS e 615 equipes de Saúde da Família no DF. Em abril de 2026, o Governo do Distrito Federal (GDF) anunciou quatro hospitais regionais e 17 UBS até o fim de 2026.

Celina: cirurgias e rede privada

Em 6 de outubro, em reunião com representantes do setor privado no Palácio do Buriti, Celina previu R$ 50 milhões para um novo edital de cirurgias. A previsão é de mais de 3 mil procedimentos, sobretudo de ortopedia. Ela disse: “Eu não posso deixar um paciente esperando dez anos de cirurgia.”

Dados da SES-DF, citados pelo O Hoje em 9 de outubro, mostram 36.442 cirurgias eletivas de janeiro a julho de 2026. A alta é de 35,89% sobre o mesmo período de 2025. Celina afirmou: “Proporcionalmente, somos o estado que mais cresceu no número de cirurgias eletivas do país.”

Um balanço do Ministério da Saúde, divulgado em 15 de setembro, também cita o DF entre os maiores crescimentos do país, com alta de 31% no primeiro semestre, segundo o Jornal do Brasil (JB).

Em 14 de outubro, em entrevista à Rádio Nova Brasil FM, Celina anunciou um novo sistema de regulação. Segundo ela, o sistema fará uma “higienização tecnológica” da lista de espera. Não há prazo de implantação divulgado.

O que diz Celina Leão (PP): em 9 de outubro, disse que o DF é o estado que mais cresceu em cirurgias eletivas, atribuindo a alta à oferta na rede pública e a serviços contratados, segundo O Hoje. Em 15 de setembro, à TV Globo, afirmou: “Eu continuo criticando a contratação temporária. Só que a saúde não pode esperar.”

Grass: Iges, fila pública e prazo de 30 dias

Em 14 de setembro, em entrevista ao DF1, da TV Globo, Grass disse que o Iges-DF, instituto ligado ao governo, precisa mudar. Ele afirmou que a entidade consome mais de R$ 1 bilhão por ano da saúde pública. Para o candidato: “O IGES é pago, mas ele não cumpre as metas e tem problemas de corrupção.” A reportagem apresenta a acusação como fala do candidato.

Na mesma entrevista, ele propôs devolver o comando da área à Secretaria de Saúde e ampliar as UBS, com mais equipes e especialistas, segundo o Jornal de Brasília.

Na sabatina do SBT Brasília, em 18 de setembro, Grass prometeu: “vou colocar um portal público para que as pessoas vejam a fila diminuindo”. Ele defendeu um prazo de 30 dias entre consulta e tratamento. Disse também que a espera média por exame no DF é de 254 dias. A reportagem não cita fonte para esse número.

O que diz Leandro Grass (PT): em 14 de setembro, disse à TV Globo que o Iges-DF “não cumpre as metas” e propôs devolver o comando da saúde à Secretaria. Em 22 de outubro, no debate da TV Globo, disse que cuidaria de quem chega ao hospital sem atendimento, segundo o Metrópoles.

Médicos de família: o número que pede cautela

Os dois candidatos falam em UBS, mas a contratação de pessoal ainda não aparece por completo. Em 7 de maio, a SES-DF abriu seleção com 114 vagas imediatas para médicos de família e comunidade, segundo a Folha Dirigida. Em 14 de setembro, a Secretaria convocou 278 médicos aprovados, dos quais 43 de família e comunidade, segundo o Correio da Manhã.

Em 1º de outubro, Celina disse: “Nós já começamos a fazer as contratações de médicos e enfermeiros.” As fontes consultadas não informam quantos convocados tomaram posse. Sem esse número, não dá para dizer se as 114 vagas foram preenchidas.

O que fica em aberto

As fontes consultadas não trazem o total de pessoas na fila de cirurgias do DF. Também não trazem uma espera média por consulta oficial. Os números de espera citados nas campanhas não têm, nesta apuração, uma fonte pública comparável.

Até 25 de outubro, três números dirão mais que as promessas: o total da fila, o número de médicos de família que tomaram posse e a data de entrega das UBS.

Como fizemos: Reunimos falas de entrevistas, sabatinas e de um debate, publicadas entre 14 de setembro e 22 de outubro de 2026. Usamos dados da SES-DF, citados por reportagens, um balanço do Ministério da Saúde e um estudo de 2024, acessados em 23 de outubro de 2026. Não fizemos cálculos novos. O número de UBS é de novembro de 2022, a cobertura de 68,2% vem de dado sem ano claro, e as cirurgias cobrem janeiro a julho de 2026. Não contatamos as campanhas para este texto.

Fontes