Sudeste

Niterói ativa bombas na Lagoa de Piratininga durante obra

Sistema provisório levará água do mar à lagoa enquanto Túnel do Tibau passa por recuperação de R$ 38 milhões e 12 meses.

Vista aérea da Lagoa de Piratininga com parapente sobrevoando a água e bairros ao fundo
Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, fotografada em dezembro de 2014.Foto: Marinelson Almeida Silva / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Prefeitura de Niterói ativou neste sábado (7) um sistema provisório para bombear água do mar até a Lagoa de Piratininga. A medida mantém a renovação da água durante a recuperação do Túnel do Tibau, estrutura que deveria garantir essa ligação naturalmente.

A obra começou em 21 de outubro, tem investimento de R$ 38 milhões e prazo previsto de 12 meses. As bombas entram em operação 17 dias depois do início da intervenção. O objetivo é reduzir o risco de mortandade de peixes enquanto o túnel estiver isolado.

Bombas substituem fluxo durante intervenção

Mangueiras e tubulações submersas conduzem a água captada no mar até a lagoa. O sistema permite fechar a comporta, isolar as extremidades do túnel e esvaziar seu interior. Sem essa etapa, os trabalhadores não poderiam examinar e recuperar a estrutura com segurança.

Obra alterna circulação provisória e recuperação do túnel Etapas informadas pela Prefeitura de Niterói

Etapa Função
Bombas provisórias Manter entrada de água do mar na lagoa
Isolamento do túnel Permitir esvaziamento e inspeção
Remoção de materiais Retirar concreto e fragmentos de rocha
Recuperação definitiva Elevar fluxo para mais de mil litros por segundo

Fonte: Prefeitura de Niterói.

Os serviços incluem retirar o revestimento original de concreto e fragmentos soltos de rocha. Retroescavadeira e rompedor hidráulico serão usados nessa remoção. Depois, a equipe poderá identificar os pontos que precisam de tratamento e reforço.

Essa inspeção é importante porque os danos externos não mostram toda a situação do túnel. O esvaziamento permite examinar a estrutura antes de definir os reparos. Assim, a ativação das bombas não é apenas uma medida ambiental. Ela também cria a condição operacional para a etapa de engenharia.

Danos antigos reduziram renovação da água

Desmoronamentos ocorridos entre 2018 e 2019 comprometeram o Túnel do Tibau. Pedras e outros materiais serão retirados durante a obra. A Prefeitura afirma que esses danos reduziram significativamente a renovação das águas da lagoa.

A renovação importa porque a temperatura alta e a baixa oxigenação ameaçam os peixes. Uma estação acompanha a quantidade de oxigênio, o nível e a qualidade da água. Essas medições orientam o volume que precisa entrar na lagoa.

O monitoramento semanal é feito pela administração municipal com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental do Rio de Janeiro. O acompanhamento permite ajustar a operação das bombas, em vez de manter sempre a mesma vazão.

A decisão sobre quanto bombear depende, portanto, de dados ambientais. Mais vazão não substitui a avaliação dos índices. A prefeitura precisará equilibrar a renovação necessária à lagoa e a sequência dos trabalhos no túnel durante toda a intervenção.

Pescadores locais e moradores participaram da cerimônia de ativação, segundo a administração. O interesse desses grupos está ligado à conservação do ambiente e à continuidade da atividade pesqueira. Os indicadores semanais oferecem uma referência concreta para acompanhar se a promessa se confirma.

O que diz a Prefeitura de Niterói: o subsecretário municipal de Infraestrutura e Fiscalização, Vicente Temperini, informou que as análises semanais com o Inea definirão a entrada de água necessária para evitar um colapso por falta de renovação. A vice-prefeita Isabel Swan destacou os efeitos esperados para o ecossistema e os pescadores.

Resultado definitivo depende da obra

Com o túnel recuperado, a Prefeitura projeta que o fluxo entre o mar e a lagoa mais do que triplique. A expectativa é ultrapassar mil litros por segundo. As bombas são, portanto, uma resposta temporária, não a conclusão do projeto.

O avanço da obra deverá ser acompanhado pelos dados de oxigênio e qualidade da água. Eles mostrarão se o sistema provisório cumpre seu objetivo durante o isolamento. O prazo de 12 meses e a vazão definitiva serão as próximas referências para avaliar a recuperação do ecossistema.

Como fizemos: Consultamos o comunicado da Prefeitura de Niterói publicado em 07/11/2026 e o anúncio do início da obra, de 21/10/2026. Calculamos os 17 dias entre essas duas datas. Não estimamos a vazão atual nem a economia de peixes, dados que a fonte não informa.

Fontes