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Seca atinge 101 mil famílias no AM; Porto Velho declara desastre
Mais de 101 mil famílias foram afetadas no Amazonas, e a cota de 17,7 metros do Rio Negro virou referência para aprovar a sobretaxa de frete em Manaus.

Em 2 de outubro, o Rio Negro marcou 18,59 metros no Porto de Manaus, 14 centímetros abaixo do dia anterior. Os dados são da página do porto, citada pelo site Clique Petróleo e Gás. Naquele dia, faltavam 89 centímetros para a cota de 17,7 metros.
A cota é o nível da água medido em uma régua, em metros. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) usa essa marca como referência para aprovar a sobretaxa de seca. É uma cobrança extra no frete, usada quando o rio baixa e os navios levam menos carga.
Amazonas tem 101 mil famílias afetadas
O governo do Amazonas decretou situação de emergência por causa da estiagem. O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado em 21 de setembro e vale por 180 dias. Segundo o Portal Amazônia, ele “pode afetar até 648 mil pessoas nos 62 municípios do estado”. A reportagem não traz a lista de cidades em emergência.
Em boletim divulgado no domingo (18), a Defesa Civil contou mais de 101 mil famílias afetadas, segundo o Correio da Manhã. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, avaliou à Rádio Encontro das Águas que o quadro ainda não tem as mesmas condições hidrológicas generalizadas de 2023 e 2024.
Porto Velho declara desastre
Em Porto Velho, capital de Rondônia, o Rio Madeira chegou a 2,62 metros em 6 de outubro. A média para o período é de 3,9 metros, segundo o Portal Amazônia. A prefeitura classificou a estiagem como desastre de nível II.
A medida afeta cerca de 23 mil pessoas em 85 localidades, entre áreas rurais, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas. A Defesa Civil municipal atribui parte do agravamento ao El Niño, aquecimento anormal de parte do Oceano Pacífico.
Sobretaxa de seca: quem paga a conta
Em 15 de setembro, a ANTAQ publicou a regra que analisa a sobretaxa, chamada em inglês de Low Water Surcharge (LWS). Pela regra, a agência aprova, condiciona ou impede cada cobrança, empresa por empresa, segundo a Agência iNFRA. Para 2026, a cota de 17,7 metros segue como referência para homologação, e não como cobrança automática.
Em deliberação assinada em 9 de outubro, a ANTAQ suspendeu a sobretaxa de seca da empresa de navegação MSC. Também não homologou valores de US$ 4.800 por contêiner, segundo a Atlas Público.
A Centronave, entidade do setor de navegação, alerta para risco de interrupção do transporte de cargas para Manaus. Segundo a Agência iNFRA, a impossibilidade de recuperar os custos extras “pode comprometer o abastecimento de Manaus”.
Um estudo da consultoria Alvarez & Marsal, citado pela Centronave, mede o efeito do calado. Calado é a profundidade do casco do navio dentro da água. Com redução de 3,2 metros no calado, a capacidade do navio cai 55% e o custo por contêiner sobe 147%.
O clima aponta para mais seca
O boletim do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de instituições parceiras, prevê El Niño de intensidade muito forte de outubro a dezembro, com 95% de chance, segundo a Agrolink.
Em setembro, o Amazonas teve a maior área com seca entre os estados, com mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em dados publicados pelo Estadão. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) instalou cerca de 30 pluviômetros novos no estado, aparelhos que medem a chuva. Eles se somam a 73 já existentes, segundo o Correio da Manhã.
O que diz a ANTAQ: A agência diz que a sobretaxa de seca não é proibida nem tabelada, e que a cota de 17,7 metros serve para homologar a cobrança, não para cobrá-la automaticamente. Em reunião de 24 de setembro, o diretor-geral Frederico Dias disse que “a segurança da navegação é inegociável”, segundo a Agência iNFRA. A redação não contatou a agência para esta versão; as posições vêm de publicações.
O que isso significa
Os dados públicos mais recentes sobre o Rio Negro que a redação encontrou são de 2 de outubro. Sem nova leitura do porto, não é possível saber se o rio já chegou a 17,7 metros. Essa é a principal lacuna desta cobertura.
Os números mostram uma seca que já atinge famílias e cidades, e um custo de transporte que pode subir. Quem paga essa conta segue em aberto. Vale acompanhar as próximas leituras do Porto de Manaus e as decisões da agência.
Como fizemos: Usamos a leitura do Rio Negro no Porto de Manaus de 1º e 2 de outubro de 2026, publicada pelo Clique Petróleo e Gás em 4 de outubro, e a cota de referência da ANTAQ, de 17,7 metros. A diferença de 89 centímetros é conta da reportagem do Clique, não cálculo nosso. Os dados de famílias, do decreto e do Rio Madeira vêm de reportagens e documentos citados; não localizamos o boletim original da Defesa Civil. Não localizamos boletins do Serviço Geológico do Brasil (SGB) ou do Cemaden com níveis de rio para outubro; as fontes foram acessadas em 27 de outubro de 2026.
Fontes
- Rio Negro desceu a 18,59 m no Porto de Manaus em 2 de outubro — Clique Petróleo e Gás (4/10/2026)
- ANTAQ homologa rito da taxa de seca e nega conflito com a Marinha — Agência iNFRA (25/9/2026)
- Centronave alerta para risco ao transporte durante seca em Manaus — Agência iNFRA (13/10/2026)
- ANTAQ suspende sobretaxa de seca da MSC e não homologa valores — Atlas Público (13/10/2026)
- Amazonas decreta emergência por estiagem e prevê até 648 mil pessoas afetadas — Portal Amazônia (27/9/2026)
- Estiagem já atinge mais de 101 mil famílias no Amazonas — Correio da Manhã (21/10/2026)
- Rio Madeira vira “deserto” de areia e Porto Velho entra em estado de emergência — Portal Amazônia (7/10/2026)
- El Niño deve ganhar força entre outubro e dezembro — Agrolink (30/9/2026)
- Seca cresce no Nordeste e Norte e 75% do território nacional registra o fenômeno, mostra ANA — O Liberal/Estadão (20/10/2026)
- Drought on the Rio Negro — NASA Earth Observatory (imagem de 3/10/2023; acesso em 27/10/2026)



