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Quatro cidades do Amazonas fazem Dia D contra o sarampo

Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte ampliam vacinação; estado tem 21 dos 65 casos importados.

Pele de paciente com erupções avermelhadas causadas pelo sarampo, em registro histórico do CDC
Erupções na pele de paciente com sarampo em registro histórico dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, de 1958.Foto: Heinz F. Eichenwald / CDC / Wikimedia Commons (domínio público)

Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte realizam neste sábado (7) um Dia D de vacinação contra o sarampo. A mobilização alcança unidades de saúde, portos, feiras, escolas, comércios e residências no Alto Solimões, segundo o Ministério da Saúde.

O Amazonas concentra 21 dos 65 casos importados confirmados no Brasil em 2026. Isso equivale a 32,3% do total nacional. Todos os casos notificados nas quatro cidades estão na faixa de fronteira com Peru e Colômbia.

Casos se concentram na fronteira

Tabatinga tem nove registros, e Benjamin Constant soma seis. São Paulo de Olivença aparece com quatro, e Atalaia do Norte, com dois. A distribuição explica a estratégia de levar as equipes para além das unidades de saúde.

Tabatinga e Benjamin Constant reúnem 15 dos 21 casos amazonenses Casos de sarampo por município informados pelo Ministério da Saúde em 2026

Município Casos confirmados
Tabatinga 9
Benjamin Constant 6
São Paulo de Olivença 4
Atalaia do Norte 2
Total no Amazonas 21

Fonte: Ministério da Saúde.

Os casos importados ocorrem quando o vírus é adquirido no exterior ou está ligado a essa cadeia de transmissão. Isso é diferente da circulação endêmica, quando a doença se mantém em transmissão contínua no país. O Brasil recuperou em 2024 o reconhecimento de livre da circulação endêmica do sarampo.

Cobertura da segunda dose pede reforço

Em 2025, a primeira dose da vacina alcançou 89,7% do público indicado no Amazonas. A média nacional foi 93,15%, diferença de 3,45 pontos percentuais. Na segunda dose, o estado registrou 76%, contra 78,61% no país.

A diferença da segunda dose é de 2,61 pontos percentuais. O dado mostra que o desafio não termina na primeira aplicação. Completar o esquema recomendado para cada idade é necessário para ampliar a proteção coletiva.

Neste Dia D, todas as pessoas a partir de seis meses podem receber a vacina, independentemente do histórico vacinal. Crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias recebem a dose zero. Ela não substitui as doses previstas no calendário de rotina a partir dos 12 meses.

A ação conta com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Alto Rio Solimões e Vale do Javari. Essas estruturas coordenam o atendimento às populações indígenas. As Casas de Saúde Indígena (Casai) também participam, alcançando comunidades ribeirinhas e áreas de difícil acesso.

Levar a vacina aos locais de circulação reduz a necessidade de deslocamento voluntário até um posto. As visitas domiciliares acrescentam outra forma de procurar quem ainda não se imunizou. Em uma região de fronteira, essa capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) é parte da resposta epidemiológica.

O que diz o Ministério da Saúde: a pasta afirma que a mobilização cria uma barreira de proteção na fronteira e inclui busca ativa, vigilância e bloqueio vacinal. O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, destacou a vacinação em portos, comunidades ribeirinhas e áreas indígenas.

Cooperação ultrapassa o território nacional

O Peru registra mais de 2 mil casos em 2026, enquanto a Colômbia confirmou 17. O Ministério da Saúde disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral ao Peru, com envio previsto para os próximos dias. Esse imunizante protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

A cooperação regional protege também quem vive no Brasil, porque o vírus circula com as pessoas entre os países. O próximo balanço deverá mostrar quantas doses foram aplicadas nos quatro municípios e quantas pessoas completaram o esquema. Esses resultados permitirão medir o alcance da mobilização além do número de postos abertos.

Como fizemos: Consultamos os boletins do Ministério da Saúde de 05/11/2026 e 07/11/2026. Dividimos 21 casos por 65 e calculamos as diferenças de cobertura entre Amazonas e Brasil. As coberturas são de 2025, e os casos são acumulados de 2026; os períodos não foram misturados.

Fontes