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Treinamento contra desnutrição alcança 110 cidades do Piauí

Treinamento reúne técnicos de 110 municípios com prevalência de pelo menos 10% de desnutrição em crianças menores de 5 anos.

Profissional acompanha criança pequena em atividade com lápis de cor durante ação de saúde
Criança participa de ação pública de saúde em Rio Grande (RS), em 2022; a foto não mostra a capacitação piauiense.Foto: Policlínica Naval de Rio Grande / Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) reuniu nesta quinta-feira (5) representantes de 110 municípios para uma capacitação contra a desnutrição na primeira infância. O grupo equivale a 49,1% das 224 cidades do estado.

Foram selecionados municípios com prevalência igual ou superior a 10% de desnutrição, magreza e magreza acentuada entre crianças menores de 5 anos. A formação atende técnicos das secretarias municipais de Saúde e integra o Projeto Pilares de Desenvolvimento Humano (PDH).

Seleção direciona treinamento pelo indicador local

A prevalência é a proporção de crianças que apresenta determinada condição em um grupo e período. O corte de 10% orienta a participação no projeto, mas não significa que uma em cada dez crianças do estado esteja desnutrida.

A Sesapi não divulgou no anúncio a lista dos municípios nem as taxas individuais. Também não informou o total de crianças avaliadas. Por isso, o número de 110 cidades mede o alcance administrativo da capacitação, não o número de famílias atendidas.

Projeto reúne 49,1% dos municípios piauienses Critérios e alcance informados pela Sesapi nesta quinta-feira

Item Valor
Municípios selecionados 110
Total de municípios do Piauí 224
Participação no total estadual 49,1%
Prevalência mínima para seleção 10%
Faixa etária acompanhada Menores de 5 anos

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Piauí. Percentual de municípios calculado pela redação.

O encontro integra o Componente III do PDH, financiado pelo Banco Mundial. Esse componente combina saúde e assistência social para ampliar o acompanhamento nutricional de crianças e o atendimento a famílias em insegurança alimentar.

Acompanhamento precisa ir além da consulta

A programação reúne enfrentamento da desnutrição, vigilância alimentar e fortalecimento da segurança alimentar. Vigilância alimentar e nutricional é o acompanhamento sistemático de medidas como crescimento, consumo e condições que interferem na nutrição.

Cassandra Muniz, coordenadora do Componente III do PDH, afirmou que uma etapa anterior já formou multiplicadores com a Assistência Social. Agora, os técnicos municipais de Saúde recebem conteúdos específicos da área. Multiplicadores são profissionais preparados para repassar o aprendizado às equipes locais.

A superintendente de Atenção Primária à Saúde e Municípios, Leila Santos, defendeu o acompanhamento do crescimento e o incentivo ao aleitamento materno. Também citou alimentação saudável e apoio às famílias em maior vulnerabilidade social.

A descrição do projeto reconhece que a desnutrição tem múltiplas causas. Renda, acesso à alimentação, condições de moradia e acompanhamento de saúde podem se combinar. Por isso, a capacitação envolve duas pastas públicas, em vez de tratar o problema apenas como uma questão clínica.

O que diz a Sesapi: Leila Santos defendeu o acompanhamento do crescimento e o incentivo ao aleitamento materno. A superintendente também citou alimentação saudável e apoio às famílias mais vulneráveis, no anúncio oficial.

Resultado dependerá da rotina nos municípios

Representantes do Ministério da Saúde e da plataforma Piauí Primeira Infância participaram on-line. O próximo passo será observar como os técnicos aplicam o conteúdo nas unidades e no contato com as famílias.

O anúncio não apresenta metas numéricas de redução da desnutrição, prazo de avaliação ou quantidade de profissionais treinados. Esses dados serão necessários para medir se a formação melhora o acompanhamento infantil nos 110 municípios.

Como fizemos: Consultamos a nota da Sesapi publicada em 05/11/2026. Dividimos 110 municípios participantes pelos 224 existentes no Piauí e obtivemos 49,1%. Não calculamos prevalência estadual nem número de crianças beneficiadas porque as taxas municipais, a lista de cidades e o total de avaliações não foram divulgados. A foto registra outra ação de saúde infantil e não a formação.

Fontes