Nordeste

Cinco estados do Nordeste elegem governadores fora do PT no 1º turno

Braide (MA), Raquel Lyra (PE), Lucas Ribeiro (PB), Mitidieri (SE) e JHC (AL) venceram no 1º turno; a margem vai de 4,7 a 40 pontos percentuais.

Fachada amarela do Palácio do Governo de Pernambuco, em Recife, com estátua de bronze em primeiro plano e árvores e postes ao redor
Palácio do Governo de Pernambuco, no Campo das Princesas, em Recife, sede do governo de Raquel Lyra.Foto: Paulo Castagna / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No domingo, 4 de outubro, cinco estados do Nordeste elegeram o governador no primeiro turno sem um candidato do PT. São eles Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Alagoas. Em todos, o eleito passou da metade dos votos válidos.

Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. Para vencer no primeiro turno, é preciso mais da metade desses votos. Se ninguém chega lá, os dois mais votados disputam um segundo turno.

Oito dos nove estados do Nordeste já têm governador definido. Piauí, Ceará e Bahia elegeram candidatos do PT. O Rio Grande do Norte vai ao segundo turno em 25 de outubro, segundo o Investnews.

Quem venceu, e com qual margem

Os cinco eleitos ficaram acima de 52%. A distância para o segundo colocado, porém, varia muito. Ela é medida em pontos percentuais (p.p.): de 50% para 51%, o avanço é de 1 ponto.

Paraíba teve a maior vantagem; Alagoas, a menor Percentual dos votos válidos e diferença para o segundo colocado, em 4 de outubro de 2026

Estado Eleito (partido) % dos votos válidos Vantagem (p.p.)
Paraíba Lucas Ribeiro (PP) 64,3 40,1
Sergipe Fábio Mitidieri (PSD) 59,3 21,8
Maranhão Eduardo Braide (PSD) 54,0 19,3
Pernambuco Raquel Lyra (PSD) 53,3 8,5
Alagoas JHC (PSDB) 52,1 4,7

Fonte: Investnews, Estadão Conteúdo, Agência Brasil, Canal Rural, Band e A Tarde, com dados do TSE. Pernambuco e Alagoas com apuração parcial. Vantagem: cálculo da redação.

Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP, Progressistas) teve 64,30% dos votos válidos. Efraim Filho (PL, Partido Liberal) ficou com 24,18%, segundo a Canal Rural. É a maior diferença entre os cinco.

Em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD, Partido Social Democrático) teve 59,27%. Valmir de Francisquinho (Republicanos) ficou com 37,48%, segundo a Band. No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) recebeu 54,03%. Orleans Brandão (MDB, Movimento Democrático Brasileiro) teve 34,76%, segundo o Estadão Conteúdo.

Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) teve 53,27%, com 98,16% das urnas totalizadas, segundo a Agência Brasil. João Campos (PSB, Partido Socialista Brasileiro) ficou com 44,78%. Em Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira), teve 52,14%, com 99,21% das urnas apuradas. Renan Filho (MDB) ficou com 47,43%.

Herança: quem já governa e quem começa

Raquel Lyra e Fábio Mitidieri seguem no cargo, agora reeleitos. Lucas Ribeiro já governa a Paraíba desde abril, depois que João Azevêdo (PSB) deixou o cargo para disputar o Senado.

Segundo o balanço da gestão Azevêdo, publicado pelo jornal oficial A União, o estado tinha cerca de R$ 4 bilhões em caixa. O texto diz que essa foi a terceira maior disponibilidade financeira do país. O dado vem do próprio governo, e não localizamos confirmação independente.

Eduardo Braide já foi prefeito de São Luís. JHC renunciou à prefeitura de Maceió em abril de 2026 para disputar o governo. O Investnews classifica os dois como estreantes no governo estadual.

Agendas: água, saúde e escolas

Em Pernambuco, a governadora reeleita listou prioridades logo após a votação. Segundo o Diário de Pernambuco, Raquel Lyra disse: “A gente vai avançar na educação, na saúde, na infraestrutura, no acesso à água.” A meta mais concreta é a de creches: 100 até dezembro de 2026 e 250 até o fim de 2027, segundo ela.

No Maranhão, o plano de Braide tem 55 propostas. Na saúde, prevê o “Hospital Novo”, com hospitais regionais e macrorregionais. Na educação, cita o programa “Escola Nova”, com construção de escolas e quadras, e a ampliação de creches em tempo integral com os municípios. O plano também fala em “redução do ICMS estadual”, o imposto estadual sobre mercadorias e serviços, sem informar alíquota nem prazo, segundo o Imirante.

Na Paraíba, não localizamos um plano de prioridades para 2027 publicado até a data desta reportagem.

O que diz a Justiça Eleitoral: a apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu a vitória no primeiro turno aos cinco eleitos, por terem mais da metade dos votos válidos, segundo a Agência Brasil.

O que isso significa

Nos cinco estados, não haverá segundo turno para governador. A posse acontece no início de 2027. Em Sergipe, o mandato começa em 6 de janeiro, segundo a Band.

A diferença entre os eleitos é grande. Na Paraíba, a vantagem passou de 40 p.p. Em Alagoas, ela ficou em 4,7 p.p., e uma mudança de cerca de 2,4 pontos teria igualado a votação.

Como fizemos: Usamos os resultados de 4 de outubro de 2026 publicados pela Agência Brasil (via Acessa.com), pelo Investnews, pelo Estadão Conteúdo (via O Liberal), pela Canal Rural, pela Band e pelo A Tarde, todos com dados do TSE, acessados em 22 de outubro de 2026. As páginas do próprio TSE não abriram para conferência. Usamos o total publicado para Maranhão, Paraíba e Sergipe. Os percentuais de Pernambuco e Alagoas são parciais, com 98,16% e 99,21% das urnas, e podem mudar. Algumas reportagens dão percentuais diferentes para a Paraíba, e usamos o total de 64,30%. A vantagem em pontos percentuais é cálculo nosso, feito pela diferença entre o eleito e o segundo colocado.

Fontes