Nordeste

No Nordeste, desemprego chega a 9,1% e a bolsa pesa pouco

No 2º trimestre de 2026, a desocupação foi de 5,4% a 9,1% nos estados do Nordeste; em dezembro de 2024, a região tinha 13,6% dos investidores da B3.

Banca com cestos de palha, brinquedos de madeira, miniaturas de instrumentos e objetos de plástico à venda na Feira de Caruaru, em Pernambuco
Banca de artesanato e brinquedos na Feira de Caruaru (PE), em foto de 9 de julho de 2012.Foto: Edudgarcia / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Entre abril e junho de 2026, a taxa de desocupação da Bahia chegou a 9,1%. Na Paraíba, ficou em 5,4%. Nenhum dos nove estados do Nordeste ficou abaixo da média nacional, segundo o IBGE.

Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da B3, a bolsa de valores do país, caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos, às 17h15. O dólar à vista, com pagamento imediato, subiu 8,21%, para R$ 5,4029, às 17h02. Os números são do Money Times, que ligou a queda à vitória de Lula.

A pergunta é quem sente essa queda no dia a dia. A B3 contou quase 5,5 milhões de investidores em renda variável no fim de 2025. Renda variável são aplicações cujo valor sobe e desce, como ações e fundos de ações.

O Nordeste nos números do trabalho

A taxa de desocupação mede a parcela de quem quer trabalhar, procura emprego e não tem ocupação. O IBGE calcula o indicador na PNAD Contínua, pesquisa que entrevista domicílios de forma contínua. A tabela ordena os nove estados do maior para o menor índice.

Bahia tem a maior desocupação do Nordeste; Paraíba, a menor Taxa de desocupação em %, trimestre de abril a junho de 2026

Estado Desocupação
Bahia 9,1%
Pernambuco 8,3%
Piauí 8,3%
Sergipe 7,9%
Alagoas 7,9%
Ceará 6,6%
Maranhão 6,0%
Rio Grande do Norte 5,6%
Paraíba 5,4%

Fonte: IBGE, PNAD Contínua, divulgação de 14/08/2026, conforme Mercado & Consumo. Elaboração: redação.

Seis dos nove estados passam de 6%. Para comparar, Santa Catarina teve 2,1%, a menor taxa do país, e o Amapá teve 9,8%, a maior. O desemprego alto, portanto, não é problema de um estado só.

O IBGE divulgou em 29 de setembro a taxa nacional do trimestre de junho a agosto: 5,3%. Esse comunicado não traz números por estado. Por isso, o recorte regional mais recente que conseguimos verificar é o de abril a junho.

A renda do trabalho segue o mesmo desenho. No segundo trimestre, o rendimento médio real, ou seja, o valor corrigido pela inflação, foi de R$ 2.645 no Nordeste e de R$ 3.738 no país. Os números são do FGV Ibre, a partir da PNAD Contínua.

O salário mínimo é a referência para quem ganha pouco: R$ 1.621 em 2026. Segundo a BBC, 61,9 milhões de pessoas têm renda referenciada ao mínimo, em salário ou em benefício do governo.

Com carteira assinada, o emprego também cresce. Em agosto, o Nordeste teve saldo de 59.356 vagas formais, 35,8% das 165.827 do país, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho. O saldo é a diferença entre contratações e demissões. A região tem 26,9% dos habitantes, pelo Censo de 2022, e uma fatia de vagas maior que essa, em cálculo nosso.

Quanto a bolsa pesa no Nordeste

Na B3, o peso da região é menor que o da população. Em dezembro de 2024, o último recorte regional que encontramos, o Nordeste tinha 716 mil investidores em renda variável, e o Sudeste, 3,03 milhões. Somadas as cinco regiões, a base chega a cerca de 5,26 milhões, e a fatia nordestina fica em 13,6%.

A conta da B3 vale só para pessoas físicas. Fundos de previdência e de pensão, que também compram ações, ficam fora dela. O número mostra o investidor direto, e não toda a exposição de quem tem aposentadoria complementar.

O caminho mais direto é o juro. A Selic, a taxa básica de juros do país, caiu de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro, segundo o Copom, o comitê do Banco Central que a define. Com o dólar mais alto, os cortes ficam mais difíceis. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, afirmou: “Embora a Selic viesse caindo, o dólar mais caro aumenta o risco inflacionário e dificulta novos cortes.”

Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, disse, em resumo, que um custo de capital mais alto pode comprometer investimentos, crédito e crescimento.

O segundo caminho é o combustível. A Abicom, associação dos importadores, afirmou que os preços no Brasil “seguem com ampla diferença abaixo da paridade internacional”. Paridade internacional é o preço de referência do produto importado, que sobe com o dólar. Hoje o preço interno está abaixo dessa referência, e o reajuste nas refinarias depende da Petrobras. Essa leitura é nossa.

Nem todo efeito é negativo. Um real mais fraco beneficia quem exporta, e o JP Morgan escreveu que “as empresas exportadoras devem apresentar desempenho superior, impulsionadas pela desvalorização da moeda”.

A bolsa mede o que investidores esperam ganhar. O emprego e a renda do Nordeste dependem de outras forças, como crédito, preços e contratações. A queda de segunda-feira não entra direto no salário de quem trabalha. O canal existe, porém, e passa pelo juro, pelo preço e pelo investimento.

Aplicações em renda variável podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Este texto não recomenda compra nem venda de nenhum ativo. Os próximos números do Caged e da PNAD Contínua vão mostrar se o efeito chega ao emprego.

O que diz o IBGE: a redação não entrou em contato direto com o instituto para este texto. Na divulgação de 29 de setembro de 2026, o IBGE informou desocupação de 5,3% no país, sem recorte por estado. Os números estaduais citados aqui são da divulgação de 14 de agosto de 2026.

Como fizemos: Usamos a taxa de desocupação por estado do trimestre de abril a junho de 2026, divulgada pelo IBGE em 14/08/2026, e a taxa nacional do trimestre até agosto, de 29/09/2026. O rendimento regional vem do FGV Ibre, citado pelo O Povo, e o saldo do Caged de agosto, do Novo Caged, citado pelo Jornal Grande Bahia. Calculamos a fatia de 13,6% dos investidores (716 mil sobre a soma de 5,26 milhões das cinco regiões) e a fatia de 35,8% das vagas, comparadas à população de 26,9% (Censo 2022). Não acessamos o IBGE nem a SIDRA diretamente, e não encontramos dados estaduais para o trimestre até agosto. Os dados da B3 não cobrem fundos de pensão e previdência. Todas as fontes foram acessadas em 26/10/2026.

Fontes