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Trump questiona eleição brasileira enquanto líderes felicitam Lula

Trump disse, sem provas, que a eleição brasileira pareceu fraudada. Veja o que aconteceu nos EUA em 2020 e o que dizem as normas da OEA.

Multidão com bandeiras, muitas com símbolos de Trump, nas escadarias do Capitólio dos EUA, em Washington
Apoiadores de Donald Trump reunidos nas escadarias do Capitólio, em Washington, em 6 de janeiro de 2021.Foto: TapTheForwardAssist / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a repórteres que a eleição brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”. Ele não apresentou provas. Segundo o Brasil de Fato, Trump também disse que gosta de Lula.

No domingo (25), Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. Flávio disse que é “impossível reconhecer o resultado”, segundo o InfoMoney. Na segunda, o Poder360 informou que ele desistiu “por enquanto” de pedir a anulação.

O caso dos EUA em 2020

Em 2020, Trump e aliados entraram com mais de 60 ações para contestar a derrota para Joe Biden. Segundo a NBC News, só uma decisão lhes foi favorável. As demais foram arquivadas, resolvidas por acordo ou retiradas.

Muitas ações caíram por motivos processuais. Em outras, os juízes analisaram as provas. Em Nevada, o juiz James Russell escreveu que os autores não apresentaram prova “crível e relevante”, segundo a PolitiFact.

Em 2 de novembro de 2020, o Carter Center, fundado pelo ex-presidente Jimmy Carter, disse que as alegações de fraude generalizada “são infundadas”. Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores de Trump invadiram o Capitólio, sede do Congresso. Segundo a SBT News, a Associated Press (AP) contou mais de 1.580 pessoas acusadas criminalmente. Em janeiro de 2025, Trump perdoou cerca de 1.500 apoiadores.

As normas da região e da Europa

A Carta Democrática Interamericana, da Organização dos Estados Americanos (OEA), cita a “celebração de eleições periódicas, livres, justas” como elemento essencial da democracia. É o artigo 3 do texto, de 2001.

O Documento de Copenhague, de 1990, da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), diz que a vontade do povo, “livremente e de forma justa expressa por meio de eleições periódicas e genuínas”, é a base da legitimidade de qualquer governo. A tradução é nossa.

A OEA enviou ao segundo turno uma missão de 89 especialistas e observadores de 22 países. Ela vai divulgar um relatório preliminar após a votação. Até esta publicação, não encontramos esse relatório.

Reações ao resultado no exterior

Vários governos parabenizaram Lula. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, escreveu: “Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil” (tradução nossa). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu no X que democracia e multilateralismo venceram no Brasil.

Sobre o pedido de Flávio, a China disse que respeita “a escolha do povo brasileiro”, segundo a CNN Brasil. Nos EUA, o governo não divulgou comunicado oficial de parabéns até segunda-feira, segundo o Brasil de Fato. Segundo a Folha de S.Paulo, citada pelo Telegraph, uma nota de congratulações do governo americano foi adiada depois que Flávio chamou o resultado de “inexplicável”. Não encontramos confirmação oficial desse adiamento.

Na Argentina, Javier Milei ainda não se manifestou sobre a reeleição, segundo o Times Brasil. Antes do segundo turno, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) chamou de “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro” as falas de Milei sobre o Judiciário e as urnas, em nota de 20 de outubro.

O que diz Donald Trump: segundo o Brasil de Fato, ele disse que a eleição “pareceu mais uma eleição fraudada” e que gosta de Lula. Não encontramos resposta oficial da Casa Branca até esta publicação.

O que isso significa

Nos processos de 2020, os tribunais rejeitaram as alegações por falta de prova ou por motivos processuais. Mesmo assim, a contestação foi seguida pelo ataque ao Capitólio.

O Itamaraty usou o termo “ingerência externa” para as falas de Milei. A mesma pergunta se aplica às falas de Trump. Segundo o Poder360, Flávio quer buscar a cassação da chapa de Lula por possíveis abusos de poder. Se o pedido chegar à Justiça, ela vai examinar as provas. Os próximos pontos a acompanhar são o relatório preliminar da OEA e esse pedido.

Como fizemos: Reunimos reportagens de 25 e 26/10/2026 (Al Jazeera, CNN Brasil, Brasil de Fato, Times Brasil, Poder360, InfoMoney e Telegraph, via Yahoo), a nota do Itamaraty de 20/10/2026 (Congresso em Foco), o comunicado da OEA de 20/10/2026, a Carta Democrática Interamericana, o Documento de Copenhague, a NBC News (2/11/2024), a PolitiFact (28/10/2022), o Carter Center (2/11/2020) e a SBT News (21/1/2025). Todas foram acessadas em 26/10/2026. Não fizemos cálculos novos. Traduções do inglês e do espanhol são nossas, exceto quando a fonte citada já está em português. Não encontramos comunicado da OEA sobre o resultado final.

Fontes