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Plano de saúde da família de Flávio pago em dinheiro vivo por Queiroz

Em agosto de 2020, Flávio admitiu que Queiroz pagava contas dele, entre elas R$ 100 mil do plano de saúde da família; o senador diz que o dinheiro era seu.

Anverso da cédula de 100 reais, em tons azuis com a Efígie da República, sobre fundo neutro
A cédula de 100 reais; mil notas como essa somam os cerca de R$ 100 mil do plano de saúde da família — pagos por Queiroz, segundo a admissão de Flávio Bolsonaro.Foto: Cerdded41 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 5 de agosto de 2020, o senador Flávio Bolsonaro fez uma admissão que entrou para a história do caso da rachadinha. Ele reconheceu que Fabricio Queiroz — ligado ao gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) — pagava contas pessoais suas. Entre as contas estavam cerca de R$ 100 mil do plano de saúde da família, segundo o site Congresso em Foco. A explicação de Flávio, na época: o dinheiro era dele próprio.

A admissão veio no meio da crise do caso da rachadinha — o esquema em que assessores devolveriam salários ao gabinete, na descrição da acusação. Um mês antes, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) havia obtido imagens de câmeras de banco, segundo o Poder360. Elas mostravam Queiroz pagando em espécie os boletos da escola das filhas de Flávio. A admissão sobre o plano de saúde apareceu logo depois.

Queiroz é a figura central da rachadinha, o caso nascido no gabinete que Flávio comandou na Alerj. Segundo a acusação, noticiada pela Gazeta, ele recebeu R$ 2,06 milhões em 483 depósitos feitos por 13 assessores. Dos depósitos, 69% eram em dinheiro vivo; os saques somaram cerca de R$ 2,9 milhões em espécie. O dinheiro em notas era, segundo a versão do Ministério Público, a moeda corrente do gabinete — e era Queiroz quem pagava as contas do então senador.

O que Flávio admitiu

A defesa de Flávio tem um eixo: o dinheiro que Queiroz usava para pagar as contas era do próprio senador. Ele também disse na época que Queiroz recolhia salários de assessores para contratar funcionários informais, sem o conhecimento dele, segundo o Congresso em Foco. Ou seja: a defesa admitia que dinheiro vivo circulava no gabinete, mas negava a existência de esquema.

No mesmo mês, os registros bancários revelaram outro pagamento ligado à família. Queiroz e a mulher dele depositaram R$ 89 mil em 27 cheques na conta de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2016, segundo o Poder360. Jair Bolsonaro, então presidente, disse que os valores eram reembolso de um empréstimo. A rachadinha, naquele agosto, já tinha passado das contas do gabinete para as contas da família.

O caso hoje

O caso virou denúncia formal, mas Flávio nunca foi julgado. Em outubro e novembro de 2020, promotores do Rio denunciaram 17 pessoas, entre elas Flávio e Queiroz, segundo a Agência Brasil. As acusações: peculato (desvio de dinheiro público por quem exerce cargo), lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em fevereiro de 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as quebras de sigilo bancário e fiscal do senador, por considerá-las mal justificadas, segundo o site Migalhas. Com as provas anuladas, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) rejeitou a denúncia em maio de 2022, sem julgar o mérito. O relator observou que a conduta descrita poderia configurar crime, segundo o InfoMoney.

Em fevereiro de 2025, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou os últimos recursos dos promotores. Ele observou que nada impede uma nova denúncia, segundo o Poder360. Até hoje, nenhuma nova denúncia foi encontrada.

O estado do caso é este: denunciado, nunca julgado. As provas caíram por razões processuais, sem julgamento do mérito. Anulado não é inocentado — e o Ministério Público pode, por lei, recomeçar.

O que diz Flávio Bolsonaro: O senador afirma que o dinheiro com que Queiroz pagava suas contas era dele próprio. Essa é a explicação que ele deu em agosto de 2020, ao admitir os pagamentos, segundo o Congresso em Foco. Ele nega que tenha existido esquema no gabinete.

O plano de saúde da família era pago, segundo a admissão do próprio Flávio, por Queiroz, apontado pelos promotores como operador de um caixa em espécie no gabinete. O eleitor do Rio conhece esse tipo de história de perto: ela nasceu nos salários de assessores de um gabinete fluminense. No segundo turno de 25 de outubro, esse registro integra o histórico com que o país decide se Flávio Bolsonaro chega à Presidência.

Fontes