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A mãe de Flávio chegou a anunciar que seria suplente de Canella

Preso pela PF em 15 de outubro, o ex-prefeito de Belford Roxo é apontado pela polícia como líder de grupo que lavou cerca de R$ 7,6 bilhões em postos.

O senador Flávio Bolsonaro concedendo entrevista à imprensa
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista à imprensa, em Brasília.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente na quinta-feira (15) Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e aliado a quem Flávio Bolsonaro deu “apoio integral, 100%” para o Senado. Canella, do União Brasil, foi eleito deputado estadual no Rio onze dias antes da prisão.

Canella administrou Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense na região metropolitana do Rio. Segundo a PF, ele liderava um grupo que lavou cerca de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026 por meio de postos de combustível da região metropolitana. São mais de R$ 1 bilhão por ano, em média, no período apurado.

Lavar dinheiro é fazer recursos de origem criminosa entrar na economia como se fossem legais. A polícia também investiga Canella por vínculo com a milícia, segundo reportagem da TMC.

Em áudio citado pela PF, um capitão da Polícia Militar negocia a retirada de barricadas em comunidades de Belford Roxo com líderes do Comando Vermelho (CV). No diálogo, ele afirma ter influência sobre a prefeitura da cidade. Canella é acusado. Nenhuma defesa dele foi localizada nas apurações consultadas.

O apoio integral

A ligação entre Flávio e Canella nunca foi escondida. Em abril, o senador declarou: “Estou aqui para reafirmar nosso apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro”. A CartaCapital reuniu os elogios de Flávio ao aliado, hoje preso: Canella era “competente” e “sabe trabalhar”.

Em julho, a mãe de Flávio, Rogéria, chegou a anunciar que seria suplente de Canella na chapa ao Senado. Suplente é quem assume a vaga do titular se ele se afastar. O anúncio foi público e durou pouco: Rogéria recuou em seguida. O episódio registra a proximidade entre a família do candidato e o aliado.

O caso não é o primeiro da lista. Outro nome apoiado por Flávio é Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele chegou a ser o nome planejado do PL para suceder o governador Cláudio Castro, com sinalização de apoio de Flávio em maio de 2025.

A PF o indiciou em fevereiro e o prendeu em março, em denúncia por obstrução. Segundo o relatório final da polícia, ele vazava dados de uma operação para o CV e respondia pela liderança do “núcleo político” da facção. Os advogados de Bacellar chamaram o indiciamento de arbitrário.

A resposta no segundo turno

Flávio falou sobre as prisões em 16 de outubro, em sabatina na TV Globo. Disse ter sido surpreendido e defendeu o direito de defesa dos acusados. E afirmou, segundo a CNN Brasil: quem tiver envolvimento comprovado com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou com o CV deve pagar “dentro da lei”.

Nenhuma evidência documentada liga Flávio pessoalmente ao CV. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, em 15 de outubro, a remoção de uma publicação que fazia essa associação, por falta de base factual. O PL diz que o inquérito citado no post foi arquivado em 2022. O tribunal aplicou o mesmo critério nas duas direções.

Uma semana antes, o TSE havia mandado apagar três posts do candidato. Dois associavam o presidente Lula ao CV e ao PCC sem base factual. Um deles usava imagem gerada por inteligência artificial sem identificação.

O segundo turno é no domingo 25, e o eleitor fluminense vota sabendo o que está documentado. O candidato que promete que todos paguem “dentro da lei” deu “apoio integral, 100%” a um aliado preso onze dias após a eleição. A própria mãe dele chegou a ser anunciada como suplente desse aliado. Não há prova ligando Flávio a facções; há, documentado, um histórico de apostas políticas em nomes acusados pela polícia — e é esse critério que vai às urnas.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em 16 de outubro, segundo o Metrópoles e a CNN Brasil, o candidato disse ter sido surpreendido com as prisões de aliados no Rio, defendeu o direito de defesa dos acusados e afirmou que quem tiver envolvimento comprovado com o PCC ou o CV deve pagar “dentro da lei”.

Fontes