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Anulação dos votos de Garotinho elege Ruas sem segundo turno no Rio

Como votos de candidato com registro negado saem da conta de válidos, Douglas Ruas (PL) passou de 49,27% para 50,88% e venceu no 1º turno.

Fachada de prédio neoclássico com colunas, varanda e portas de bronze, sob céu nublado, em rua do Centro do Rio de Janeiro
Prédio do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), no Centro da cidade.Foto: Sir Velpertex di Crantx / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Rio de Janeiro não vai votar para governador no dia 25 de outubro. Em 8 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos). Sem esses votos, Douglas Ruas (PL) passou da maioria absoluta e venceu no primeiro turno.

Este texto explica a regra, os números e o que ainda pode acontecer.

Por que os votos foram anulados

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) negou o registro de candidatura de Garotinho. Segundo o Poder360, a Justiça Eleitoral o considerou inelegível por causa de uma condenação por improbidade administrativa, por ato doloso, de 2018. Inelegível é quem a lei proíbe de disputar o cargo.

Garotinho recorreu ao TSE. Na sessão de 8 de outubro, a maioria dos ministros votou por 5 a 2 para anular os votos dele. O relator foi o ministro Floriano de Azevedo Marques. Para a maioria, os votos dados a um candidato com registro negado têm validade provisória e devem ser anulados. Os dois ministros vencidos defenderam a validade desses votos, segundo a ConJur.

Como a maioria é calculada

Pela Constituição, um governador é eleito no primeiro turno se obtiver maioria absoluta dos votos válidos. Votos brancos e votos nulos ficam fora dessa conta. Um voto anulado também sai da conta, porque deixa de ser válido.

Por isso, a exclusão dos votos de Garotinho mudou o resultado. A tabela mostra os percentuais antes e depois da anulação.

Ruas passou de 49,27% para 50,88% após a anulação Percentual dos votos válidos, primeiro turno, Rio de Janeiro, 2026

Candidato Antes Depois
Douglas Ruas (PL) 49,27% 50,88%
Eduardo Paes (PSD) 42,76% 44,16%

Fonte: TRE-RJ, conforme reportado pelo Diário de Pernambuco e pelo O Liberal. Elaboração: redação.

Recontagem, proclamação e recurso

Em 10 de outubro, o TRE-RJ refez a totalização. Ruas ficou com 50,88% dos votos válidos. Em 15 de outubro, o tribunal homologou o resultado por unanimidade e proclamou Ruas governador eleito, segundo o Diário de Pernambuco.

A coligação de Paes levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Cristiano Zanin negou o pedido para suspender a decisão do TSE, segundo o Diário do Comércio. Paes escreveu nas redes que “a Justiça decidiu que não haverá segundo turno”. Depois, disse que respeita a decisão.

O que dizem o TRE-RJ e Eduardo Paes: O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que “os votos computados demonstram que a chapa integrada por Douglas Ruas dos Santos e Fernanda Anchieta Louback foi eleita”. Paes disse que “a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores”, segundo o Diário do Comércio.

O que acontece agora

Com a proclamação, não haverá segundo turno no Rio. Ruas será diplomado em 18 de dezembro, segundo o Diário de Pernambuco. As fontes consultadas não informam outra decisão do STF sobre o mérito do caso, além do pedido de suspensão negado.

Para o eleitor fluminense, o resultado vale desde 15 de outubro. A regra é simples: votos de candidato sem registro não contam para a maioria. Quem acompanha a apuração deve olhar a conta de votos válidos, e não apenas o total de votos.

Como fizemos: Reunimos reportagens publicadas entre 8 e 15 de outubro de 2026 e acessadas em 21 de outubro de 2026. A ConJur informa 274.331 votos anulados; a maioria das reportagens informa 274.411, número usado aqui. Os percentuais são os divulgados após a retotalização, sem recálculo nosso sobre os votos absolutos. Não localizamos a íntegra do acórdão do TSE, e reportagens divergem sobre a desistência do recurso de Garotinho em 5 de outubro.

Fontes