Como funciona

Orçamento de 2027 prevê menos repasses a estados e municípios

Governo enviou o projeto ao Congresso em 31 de agosto. Veja quem vota, em que etapa está e quanto vai para emendas e repasses.

Congresso Nacional em Brasília, com as duas torres e as cúpulas, sob céu azul, e uma placa informativa em primeiro plano
Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, sede da Câmara e do Senado, que votam o Orçamento; a foto é de 2019.Foto: Senado Federal / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 31 de agosto de 2026, o governo federal enviou ao Congresso o projeto de Orçamento da União para 2027. O texto é o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que define quanto o governo pode gastar em cada área no ano seguinte. Reportagem do Congresso em Foco confirma o envio nesse dia.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que fixa as regras e metas do ano seguinte, também está atrasada. Ela deveria ter sido votada até 17 de julho, mas ainda não tinha sido aprovada, segundo a Tribuna PR. As duas propostas devem tramitar quase ao mesmo tempo.

Quem vota, e em que etapa

Primeiro, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) analisa o texto. Ela reúne deputados e senadores e emite um parecer, uma opinião formal sobre a proposta, como prevê o artigo 166 da Constituição. Depois, o Congresso vota em sessão conjunta das duas Casas.

No registro do Congresso, o projeto (PLN 24/2026) aparece aguardando despacho, etapa que o encaminha à CMO. Não encontramos registro posterior de relatoria ou de votação.

Quando deve ser votado

A Constituição fixa o calendário. O Congresso se reúne de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro, segundo o artigo 57. Pelo mesmo artigo, a sessão legislativa não é interrompida sem a aprovação da LDO.

Não encontramos data marcada para votar o Orçamento de 2027. No ciclo anterior, a relatoria da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi encerrada em 19 de dezembro de 2025, segundo o Congresso.

Onde vai o dinheiro

Os números a seguir são os verificados até aqui. Repasses e emendas são as partes do projeto que chegam mais perto das prefeituras e dos governos estaduais.

Repasses e emendas: o que o projeto de 2027 prevê Valores do projeto enviado em 31/8/2026, em R$ bilhões ou % do PIB

Item Valor no projeto Fonte
Transferências a estados e municípios R$ 610,6 bi (4,1% do PIB) Instituição Fiscal Independente (IFI), via Brasil 61
Queda estimada no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) cerca de R$ 15,6 bi Brasil 61
Queda estimada no Fundo de Participação dos Estados (FPE) cerca de R$ 13 bi Brasil 61
Emendas individuais e de bancada R$ 44,8 bi Agência Brasil
Emendas de comissão (teto) R$ 12,9 bi, fora dos R$ 44,8 bi Agência Brasil

Fontes: IFI, via Brasil 61; Agência Brasil. Queda estimada: comparação com o PLDO, o projeto da LDO enviado em abril. Elaboração: redação.

O FPM e o FPE recebem parte do Imposto de Renda e do IPI, impostos federais. Por isso, a previsão de arrecadação mexe no valor que chega a cada município e estado. Segundo a IFI, citada pelo Brasil 61, o projeto prevê 4,1% do PIB em repasses. O PLDO enviado em abril previa 4,4%.

Não encontramos, nas fontes consultadas, valores separados para o Sistema Único de Saúde (SUS) nem para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Emendas: R$ 44,8 bilhões e um teto extra

As emendas individuais e de bancada somam R$ 44,8 bilhões. Segundo a Agência Brasil, elas têm execução obrigatória pelo governo. O valor é R$ 4 bilhões acima dos R$ 40,8 bilhões previstos para 2026, uma alta de 9,8%, cálculo da redação.

As emendas de comissão ficam fora desse total e têm teto de R$ 12,9 bilhões em 2027. Usado por completo, o teto levaria o total potencial a R$ 57,7 bilhões, conta da redação. Em anos anteriores, o valor aprovado ficou acima da previsão inicial: R$ 53 bilhões em 2025 e R$ 61 bilhões em 2026, segundo a Agência Brasil.

Depois do envio, o governo informou que pretende remanejar cerca de R$ 20 bilhões dentro do Orçamento de 2027, segundo o Poder360. A pasta disse que o valor é pouco mais de 1% das despesas primárias sujeitas ao limite de gastos. Despesas primárias são os gastos do governo sem os juros da dívida.

O que diz o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO): em nota reportada pelo Poder360, a pasta afirma que o compromisso com o equilíbrio fiscal deve caminhar junto à manutenção de políticas públicas. A redação não contatou o ministério para este texto; a posição vem da nota publicada.

O que isso significa

O projeto está no início da tramitação. Os valores de repasses e emendas podem mudar, porque o Congresso pode propor alterações antes da votação final. Essa votação, que ainda não tem data marcada, define o número que chega às prefeituras.

Como fizemos: Usamos o registro de tramitação do PLN 24/2026 no site do Congresso, reportagens de 31/8 a 19/10/2026 (Congresso em Foco, Agência Brasil republicada pelo Acessa.com, Tribuna PR, Brasil 61 e Poder360) e os artigos 57 e 166 da Constituição, acessados em 26/10/2026. Não lemos o texto integral do PLOA: os números vêm das reportagens e da IFI. Calculamos a diferença entre as emendas de 2027 e de 2026 (R$ 4 bilhões, ou 9,8%) e o total potencial com o teto (R$ 57,7 bilhões). Não usamos o total de despesas, porque as fontes divergem: R$ 7,45 trilhões no Congresso em Foco e R$ 2,83 trilhões no Acessa.com.

Fontes