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Tarcísio e Cleitinho vencem no 1º turno; Minas tem a maior vantagem

Tarcísio teve 62,65% em SP e Cleitinho 55,40% em MG no 1º turno, e os dois estados preveem cerca de R$ 509 bilhões de receita em 2026.

Fachada do Palácio dos Bandeirantes à noite, iluminada em verde, com colunas, janelas e o brasão do estado de São Paulo no alto da construção
Fachada do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, na capital; foto de 2022.Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No domingo, 4 de outubro, os eleitores de São Paulo e de Minas Gerais escolheram seus governadores já no primeiro turno. Tarcísio de Freitas (Republicanos) teve 62,65% dos votos válidos em São Paulo. Em Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) teve 55,40%.

Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. Para vencer sem segundo turno, é preciso passar da metade deles. A totalização oficial é divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Quem ficou em segundo

Nos dois estados, o segundo lugar foi do PT (Partido dos Trabalhadores). Fernando Haddad teve 36,42% em São Paulo. Patrus Ananias teve 26,34% em Minas.

Entre os dois, Minas teve a maior vantagem em pontos percentuais Percentual dos votos válidos no 1º turno, em 4 de outubro de 2026

Estado Vencedor Segundo colocado Vantagem (p.p.)
Minas Gerais Cleitinho, 55,40% Patrus Ananias, 26,34% 29,1
São Paulo Tarcísio, 62,65% Fernando Haddad, 36,42% 26,2

Fonte: Brasil de Fato, com dados do TSE (Minas); O Estado de S. Paulo, via Diário do Grande ABC (São Paulo). Vantagem: cálculo da redação. Elaboração: redação.

Pontos percentuais (p.p.) medem a diferença entre dois percentuais. Em votos, a vantagem foi de cerca de 3,3 milhões em Minas e de cerca de 6 milhões em São Paulo.

Quem ficou com o resto

Em São Paulo, os demais candidatos somaram cerca de 1% dos votos válidos. Em Minas, somaram cerca de 18%, pela conta da redação com os percentuais publicados. A disputa mineira foi mais dividida.

Em 2022, Tarcísio venceu o segundo turno paulista com 55,27% dos votos válidos, contra 44,73% de Haddad. Agora, ele passou da metade logo no primeiro turno.

Dois governos de tamanhos diferentes

São Paulo tem 44,4 milhões de habitantes. Minas Gerais tem 20,5 milhões. Os números são do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O orçamento mostra uma diferença ainda maior. A Lei Orçamentária Anual (LOA) paulista prevê R$ 382,3 bilhões de receita em 2026. A mineira prevê R$ 127,1 bilhões.

A receita paulista prevista para 2026 é cerca de três vezes a mineira População em 2022 e receita prevista na LOA de 2026

Indicador São Paulo Minas Gerais
População (Censo 2022) 44,4 milhões 20,5 milhões
Receita prevista em 2026 R$ 382,3 bi R$ 127,1 bi
Receita por habitante R$ 8.610 R$ 6.200

Fonte: IBGE, via Diário do Comércio; Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), via Diário do Grande ABC; Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), via Tribuna de Minas. Receita por habitante: cálculo da redação. Elaboração: redação.

Por habitante, a diferença é menor, mas existe. Orçamento é previsão, não gasto final.

O que cada estado herda

Em São Paulo, a LOA prevê R$ 33,3 bilhões para a educação, alta de 0,4%. A saúde terá cerca de R$ 37,9 bilhões. Algumas ações, porém, encolhem. A verba para infraestrutura escolar cai 66%, e as unidades móveis de saúde e os mutirões caem 85%, segundo o Brasil de Fato.

Tarcísio disse, após a vitória, que “a gente sabe que tem muito a fazer”, segundo o Midiamax.

Em Minas, o problema está na conta. A LOA prevê despesa de R$ 132,3 bilhões para uma receita de R$ 127,1 bilhões, um déficit de R$ 5,2 bilhões. A dívida com a União, ou seja, o governo federal, está perto de R$ 177 bilhões, segundo a Secretaria da Fazenda mineira. Isso equivale a cerca de 1,4 vez a receita prevista para o ano, conta nossa.

O Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) permite pagar em até 30 anos, em 360 parcelas. A previsão para 2026 é de R$ 5,5 bilhões, cerca de 4,3% da receita. Até o fim de 2026, a União decide quais dos R$ 35,8 bilhões em bens oferecidos pelo estado serão transferidos para abater a dívida, segundo o Estado de Minas.

O que diz Cleitinho Azevedo (Republicanos): após a vitória, ele citou como prioridades “reduzir o IPVA” (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), “melhorar as estradas e melhorar a saúde” e negociar a dívida com a União, segundo o Muita Informação. Sobre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), disse que a estatal “dá lucro” e que não vai fazer barganha com ela, segundo o Diário do Grande ABC.

O que isso significa

Nos dois estados, a disputa pelo governo acabou no primeiro turno. A posse será em 6 de janeiro de 2027. Essa data passou a valer com a Emenda Constitucional 111, de 2021, segundo o Senado.

Os números mostram um contraste. São Paulo tem mais gente e mais receita por pessoa, mas reduz verbas de algumas ações. Minas tem menos receita e uma dívida maior que o orçamento de um ano. Quem assumir em janeiro vai decidir essas contas com a Assembleia e com a União.

Como fizemos: Usamos os votos e percentuais do 1º turno de 4 de outubro de 2026, acessados em 22 de outubro de 2026. Para São Paulo, a fonte é O Estado de S. Paulo, com 99,99% das urnas apuradas, republicada pelo Diário do Grande ABC. Para Minas, a fonte é o TSE, segundo o Brasil de Fato. Não conseguimos abrir o portal do TSE, e as reportagens trazem percentuais diferentes conforme o momento da apuração, por isso arredondamos. Vantagens, fatias dos demais candidatos, diferenças de votos, receita por habitante e a comparação com a dívida são cálculos nossos. Os valores de orçamento são previsões das leis aprovadas, não gastos realizados.

Fontes