Sudeste

Montes Claros prepara 54 municípios para arboviroses

Oficina orienta planos municipais para dengue, chikungunya, zika e febre amarela antes do período de maior transmissão, entre dezembro e maio.

Mosquito Aedes aegypti sobre uma folha verde
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e da zika, sobre uma folha.Foto: Wee Hong / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros reuniu na quinta-feira (5) representantes dos 54 municípios de sua área de abrangência. O objetivo foi orientar a elaboração de planos de contingência contra arboviroses.

Arboviroses são doenças transmitidas por vírus levados principalmente por insetos. A oficina tratou de dengue, chikungunya, zika e febre amarela. A preparação antecede o período sazonal de maior transmissão, identificado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) entre dezembro e maio.

Plano organiza cinco frentes

O documento municipal deve reunir vigilância em saúde, controle do mosquito, atendimento aos pacientes, gestão e mobilização social. A proposta é definir antes da alta dos casos quem faz cada tarefa e como as ações serão coordenadas.

Cinco eixos orientam a resposta municipal Conteúdo exigido nos planos de contingência discutidos na oficina

Eixo Função no enfrentamento
Vigilância Monitorar casos e sinais de transmissão
Controle vetorial Reduzir criadouros e infestação do mosquito
Assistência Organizar o atendimento dos pacientes
Gestão Coordenar equipes, recursos e decisões
Mobilização Envolver setores municipais e sociedade

Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

A divisão mostra que o plano não se resume à limpeza de criadouros. O atendimento precisa estar preparado para procurar e registrar casos. A gestão deve articular secretarias, enquanto a mobilização inclui os conselhos municipais de saúde e a sociedade civil.

A referência técnica Renata Fiúza Damasceno defendeu planos baseados na realidade de cada município. Segundo ela, a resposta exige trabalho intersetorial. Esse termo indica cooperação entre diferentes áreas, como saúde, educação, meio ambiente e serviços urbanos.

Clima altera o preparo local

A SES-MG alerta para efeitos diferentes do El Niño no Norte de Minas e nas regionais de Teófilo Otoni e Pedra Azul. O fenômeno pode intensificar secas e reduzir a disponibilidade de água. Períodos chuvosos também podem favorecer a multiplicação rápida do mosquito.

A previsão não significa que todos os municípios terão o mesmo problema. Por isso, o plano precisa considerar armazenamento domiciliar de água, pontos de descarte, cobertura das unidades de saúde e condições específicas de cada território.

Entre as medidas orientadas estão levantamentos rápidos de infestação e eliminação de possíveis criadouros. O levantamento ajuda a localizar focos e direcionar equipes. A vigilância deve ser reforçada antes e durante o período de maior transmissão.

No caso da febre amarela, a orientação inclui monitorar macacos pelo Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo). O registro de animais mortos permite investigar epizootias, que são doenças que atingem animais em determinada região. Amostras podem indicar circulação do vírus.

Esse monitoramento tem função de alerta. A morte de um macaco não confirma automaticamente febre amarela nem indica caso humano. A investigação laboratorial e epidemiológica é necessária para orientar a resposta e a comunicação com a população.

O que diz a SES-MG: a coordenadora Agna Soares da Silva Menezes alertou para possível aumento de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti entre dezembro e maio. A pasta orienta reforço da vigilância, controle de criadouros e monitoramento de macacos.

A próxima etapa é transformar a oficina em documentos municipais executáveis. O estado não divulgou quantos planos já estavam concluídos nem metas individuais. A população poderá cobrar essas informações das secretarias municipais e dos conselhos de saúde.

A eficácia dependerá da execução antes de dezembro. Eliminar criadouros, divulgar sinais de alerta e organizar o atendimento são medidas complementares. O acompanhamento dos indicadores locais mostrará se a preparação conseguiu reduzir o impacto da temporada.

Como fizemos: Lemos o balanço da SES-MG publicado em 06/11/2026 e separamos os cinco eixos exigidos nos planos. Comparamos as orientações para o mosquito e para a febre amarela. A nota não apresenta casos registrados nem projeção municipal, e nenhum número foi estimado.

Fontes