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"Itaú da favela": a promessa de Flávio para as comunidades

Flávio promete transformar a Caixa num "Itaú da favela", mas o pacote para as comunidades inclui prazo de dois anos no Bolsa Família e retomada pela força.

Fachada azul e branca de uma agência da Caixa Econômica Federal, com carro e motos estacionados em frente, sob céu azul com nuvens
Agência da Caixa Econômica Federal em Campo Maior (PI), em 2020; Flávio promete transformar o banco público num "Itaú da favela".Foto: Moacir Ximenes / Wikimedia Commons (domínio público)

Flávio Bolsonaro tem uma frase pronta para as favelas: a Caixa Econômica Federal vai virar o “Itaú da favela”. A promessa faz parte do discurso econômico do candidato e fala em ampliar o acesso ao crédito nas comunidades, segundo o site BPMoney.

A ideia soa bem. Crédito barato pode ajudar quem quer abrir um pequeno negócio ou reformar a casa. Mas a promessa não vem sozinha. O mesmo pacote para as comunidades inclui um prazo de saída do Bolsa Família e a retomada de território pela força.

O banco e o prazo

Em 19 de outubro, a coordenadora do programa de governo de Flávio, Daniella Marques, explicou a proposta para o Bolsa Família. Os beneficiários teriam dois anos de transição para conseguir emprego ou abrir um negócio. Depois, sairiam do programa. Se a tentativa falhar, a volta seria automática, segundo o Metrópoles.

A regra atual já prevê uma transição. Ela paga metade do benefício por até 18 meses. A proposta da campanha, portanto, não cria uma porta de saída. Ela fixa um prazo para todos.

Aliados de Flávio criticaram o momento do anúncio, a uma semana do segundo turno. Mas ninguém corrigiu a proposta. Em 8 de outubro, o próprio candidato tinha prometido manter e ampliar o Bolsa Família, segundo O Tempo.

Há um histórico por trás. Segundo o ICL Notícias, Flávio apagou publicações de 2010 a 2013 em que ligava o Bolsa Família à compra de votos. Numa delas, propunha um limite de dois anos para um programa social do Rio de Janeiro.

O banco e a força

O “Itaú da favela” convive no discurso de Flávio com a promessa de retomar territórios à força. O plano registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que o criminoso armado com fuzil seja “abatido”. Prevê também cinco presídios gigantes de segurança máxima e a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, segundo o SBT News.

Especialistas ouvidos pela Folhapress, como Paiva, da Universidade Federal do Ceará (UFC), e Grillo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), chamam boa parte do plano de populismo penal. Para eles, penas mais duras e prisões em massa não reduziram o crime no passado. E prender adolescentes alimenta as facções.

No Rio, essa lógica já apareceu na prática. Depois da megaoperação contra o Comando Vermelho, em outubro de 2025, Flávio usou o episódio para defender sua antiga ideia de bombardear barcos do tráfico. Também arrecadou cerca de R$ 872 mil para as famílias dos quatro policiais mortos, segundo o Diário do Rio. A segurança pública é tarefa sobretudo dos estados, mas o discurso de um presidente pesa sobre as polícias.

Para quem mora na favela, as duas promessas chegam à mesma porta. De um lado, uma agência bancária. Do outro, uma polícia orientada a abater quem estiver de fuzil.

A favela e a Faria Lima

O contraste fica mais claro quando se olha para o outro lado da cidade. Em junho de 2026, num evento na Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo, Flávio pediu ao mercado que ajudasse a sufocar financeiramente os grupos narcoterroristas. Não apresentou medidas concretas de fiscalização, segundo a Gazeta do Povo.

Na favela, a promessa é fuzil e prazo para sair do benefício. Na Faria Lima, é um pedido de colaboração. A síntese que o registro permite é esta: duro na favela, vago na Faria Lima.

O que diz Flávio Bolsonaro: o candidato afirma que vai manter e ampliar o Bolsa Família. A campanha diz que, na transição de dois anos, quem não conseguir renda volta ao programa automaticamente. Ele defende o confronto armado com criminosos como resposta às facções.

O crédito pode ser uma boa ideia, e merece ser discutido a sério. Mas nenhum banco resolve a vida de quem perde o benefício no prazo errado ou vive no meio do tiroteio. No dia 25 de outubro, o morador da comunidade vota sabendo o pacote completo. A Caixa vira “Itaú da favela”, o Bolsa Família ganha prazo para acabar e o criminoso de fuzil deve ser “abatido”, nas palavras do plano.

Fontes