SudesteMinas Gerais

Acordo de Mariana chega a 45 dos 49 municípios atingidos

O pacto de R$ 170 bilhões reserva R$ 6,1 bilhões às prefeituras de MG e ES, em parcelas anuais por 20 anos; 19 cidades aderiram em agosto de 2026.

Ilustração abstrata no estilo de um mapa topográfico, com curvas de nível, um rio, uma grade de coordenadas e pontos dourados ligados por linhas
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 20 de agosto de 2026, 19 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo aderiram ao novo acordo de reparação pelo rompimento da barragem de Fundão. Com eles, 45 das 49 cidades consideradas atingidas passaram a fazer parte do pacto, segundo a Revista Mineração. Mariana, onde ficava a barragem, está no grupo.

A barragem, da mineradora Samarco, rompeu em 5 de novembro de 2015, em Mariana (MG). A lama de rejeitos desceu pelo rio Doce até o litoral capixaba.

O que prevê o acordo

O novo acordo foi assinado em 25 de outubro de 2024, em Brasília, pelo poder público e pelas empresas Samarco, Vale e BHP. O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o texto em 6 de novembro de 2024. Homologar é dar validade judicial ao acordo.

O valor total é de R$ 170 bilhões. Desse total, R$ 100 bilhões serão repassados à União, aos dois estados e aos municípios que aderirem. Outros R$ 32 bilhões ficam com a Samarco para obrigações como reassentamentos e indenizações. O restante corresponde a cerca de R$ 38 bilhões já gastos antes do acordo.

A parte das prefeituras

Para os municípios, o acordo reserva R$ 6,1 bilhões, segundo a Agência Minas. O valor é dividido entre 49 cidades, em parcelas anuais ao longo de 20 anos, informou a Agência Brasil.

Para receber, cada prefeitura precisa assinar um termo de adesão. Uma das condições é desistir da ação contra a BHP que corre na Justiça da Inglaterra.

O primeiro prazo terminou em 6 de março de 2025. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, negou o pedido de prorrogação feito pela Associação Mineira de Municípios. Naquela data, 26 cidades tinham aderido: 20 mineiras e 6 capixabas.

Mariana ficou de fora na primeira rodada. Segundo a Agência Brasil, o grupo liderado pela cidade criticava a falta de critérios para dividir o dinheiro, o percentual da reparação e o pagamento em 20 anos.

A segunda rodada

Em 2026, as novas adesões saíram de uma mediação no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). O pedido foi do Consórcio Público para Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce). Entraram 15 cidades mineiras, entre elas Mariana, e 4 capixabas: Aracruz, Baixo Guandu, Marilândia e Sooretama.

Esses municípios seguem os mesmos critérios e valores do acordo de 2024. O primeiro repasse equivale às três parcelas já pagas a quem aderiu antes.

No fim de setembro, a Samarco repassou cerca de R$ 422 milhões a esse grupo, segundo o site Informe Capixaba. O valor inclui R$ 249,5 milhões das três primeiras parcelas, já corrigidas. O restante vai para saneamento e outras ações de reparação.

O que diz a Samarco: Em comunicado de março de 2025, a empresa afirmou que os municípios que aderiram vão receber parcelas regulares nos próximos 20 anos. Segundo a Samarco, o dinheiro deve ser aplicado em políticas públicas ligadas à reparação, como educação, saúde e infraestrutura.

Com 45 adesões, quatro cidades seguem fora do acordo e sem acesso a essa verba. Para as que aderiram, o desafio é transformar parcelas anuais em obras e serviços visíveis à população atingida. As câmaras municipais e os portais de transparência são o caminho para acompanhar onde o dinheiro é aplicado.

Fontes