Nordeste

Estados passam a pagar pela água da transposição do São Francisco

Desde julho de 2025, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte recebem fatura pela água do PISF; em 2026, a União ainda cobre a maior parte do custo.

Ilustração abstrata no estilo de um mapa topográfico, com curvas de nível, um rio, uma grade de coordenadas e pontos dourados ligados por linhas
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Desde julho de 2025, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte recebem fatura pela água da transposição do Rio São Francisco. Foi o início da operação comercial do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). Para 2026, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) calculou o custo de operar o sistema em cerca de R$ 312 milhões.

O PISF tem 477 quilômetros de extensão, divididos em dois eixos, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O Eixo Norte leva água ao Ceará, à Paraíba e ao Rio Grande do Norte. O Eixo Leste atende Pernambuco e a Paraíba. O ministério diz que a obra pode beneficiar 12 milhões de pessoas em 390 municípios.

Quem opera e quem cobra

A obra é da União. Desde uma mudança no Decreto 5.995, de 2006, o próprio MIDR é o operador federal dos dois eixos. Antes, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) operava o Eixo Leste.

A ANA regula o serviço. Pelo Decreto 12.156, de 2024, ela fixa a tarifa todo ano e divide o custo entre os estados. Cada estado assinou um contrato com a União para receber água bruta, aquela que ainda não passou por tratamento.

Como a conta é feita

A tarifa tem duas partes. A tarifa de disponibilidade paga os custos fixos, como manutenção, administração e programas ambientais, e é cobrada mesmo sem bombeamento. A tarifa de consumo paga sobretudo a energia gasta para bombear cada metro cúbico entregue.

Para 2026, a ANA fixou R$ 0,355 por metro cúbico de disponibilidade e R$ 0,256 de consumo. Um metro cúbico equivale a mil litros.

Nos primeiros anos, os contratos preveem uma cobrança em escada. No primeiro semestre de 2026, os estados pagam 5% do valor calculado. No segundo, 15%. Segundo a ANA, a União fica com cerca de 90% da parte fixa do custo neste ano.

O que falta nos estados

A água do canal não chega sozinha à torneira. Ela depende de ramais e adutoras, tubulações que levam a água até as cidades e as companhias estaduais de saneamento. Várias dessas obras ainda não terminaram.

No Ceará, o Ramal do Salgado estava com 37% das obras feitas em fevereiro de 2026, segundo a ANA. Em Pernambuco, a cobrança integral da parte fixa depende da conclusão das duas primeiras fases da Adutora do Agreste. No Rio Grande do Norte, a água do PISF começou a chegar em agosto de 2025.

O que diz a ANA: Na Nota Técnica 7/2026, a agência afirma que os valores da tarifa “devem cobrir os custos de operação e manutenção do empreendimento”. A nota diz ainda que, nos pontos de entrega sem medição de vazão, será cobrada apenas a tarifa de disponibilidade.

O governo federal também prepara a concessão da operação a uma empresa privada, em uma parceria público-privada de 30 anos. Enquanto isso, a parte paga pelos estados cresce a cada degrau da escada. Para governadores e prefeitos do sertão, o desafio é concluir as adutoras para que a água paga chegue a quem precisa.

Fontes